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Rui Rio em tribunal para se apurar se é "fanático dos popós"

Durante a sessão, a juíza perguntou se o autarca sabe que "há gente que o apelida de fanático dos popós", se tem "uma paixão profunda por automóveis" e se "apadrinha o circuito da Boavista"...

O presidente da Câmara do Porto alertou hoje para a "decadência" do regime por ter sido chamado a tribunal para responder se é um "fanático dos popós" no caso do guia onde se lia "Rio és um fdp".

"Considerando que estou à porta do tribunal que há uns anos considerou que chamar energúmeno ao presidente da Câmara do Porto é um ato de liberdade, veio aqui um energúmeno dizer se é um fanático dos popós", lamentou o autarca, em declarações aos jornalistas.

Rui Rio falava depois da "audiência de inquirição de testemunhas" pedida por Manuel Leitão, autor do guia "Porto Menu", na oposição à providência cautelar que impediu a distribuição da publicação.

O empresário alega que pretendia referir-se ao presidente da Câmara do Porto como "fanático dos popós" e durante a sessão de hoje de manhã repetiram-se em tribunal termos como "filho da puta", "fanático dos popós" e "flipado dos automóveis".

"O presidente da segunda maior Câmara do país vir aqui, responder em tribunal, se lhe chamam fanático dos popós e se é um fanático dos popós, em agosto, quando os tribunais estão fechados e só coisas urgentes é que são tratadas, revela o quadro em que a Justiça e o regime político em que vivemos estão", criticou o edil.

Durante a sessão, a juíza perguntou se o autarca sabe que "há gente que o apelida de fanático dos popós", se tem "uma paixão profunda por automóveis" e se "apadrinha o circuito da Boavista".

Rio respondeu "não" a tudo, explicando que o circuito da Boavista é "organizado pela Câmara" e "não tem padrinhos" e que "uma coisa é gostar, outra é ter uma paixão profunda" por automóveis.

"O país não tem muito a esperar de um sistema judicial que se comporta desta maneira. Acho isto triste e nunca pensei chegar a esta idade e ver o regime que nasceu a 25 de Abril degradar-se num patamar como este", frisou Rio, no fim da inquirição.

Desvalorizando a decisão que a juíza anunciará às 15:00, o autarca considerou como "mais relevante" a forma "como o regime está a contribuir para a sua própria decadência, ao descredibilizar as instituições desta forma".

Rio menorizou ainda "ter sido ofendido por alguém", considerando que "o mais grave" foi "a forma como o tribunal" tratou do assunto.

"Não sou mais do que os outros, não tenho problema em colaborar com a justiça. Institucionalmente, isto é contribuir para descredibilizar o cargo de presidente da Câmara do Porto, que não é meu, e descredibilizar a própria Justiça e o próprio tribunal", frisou.

Para Rio, "Portugal e o regime, se fosse verdadeiramente democrático e um estado de direito a sério não podia permitir isto".

"Estamos a brincar com coisas muito sérias. O estado em que o país está mais obriga a que estas coisas se tratassem de forma séria", frisou Rio foi apenas uma das quatro testemunhas ouvidas, tendo uma delas, médica de profissão e amiga de Leitão, usado a expressão "fode normal" para lembrar um episódio em que tal o termo, escrito no resultado de um exame oftalmológico, queria dizer "fundo do olho direito e esquerdo".

Para esta testemunha, "fdp não tem qualquer tipo de significado" e que a inscrição na capa da última edição do guia queria dizer "fanático dos popós".

Já outras testemunhas admitiram que "fdp" também pode ser uma "abreviatura de filho da puta", que "é suscetível de ter caráter insultuoso", frisando contudo que Leitão lhes disse que pretendia chamar a Rui Rio "fanático dos popós".