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"Reino Unido protegeu Pinochet e persegue Assange"

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Lisboa foi palco de uma manifestação de apoio à libertação do fundador do WikiLeaks, que se encontra refugiado na embaixada do Equador em Londres.

O australiano Julian Assange, que está refugiado na embaixada em Londres do Equador, país que já lhe concedeu asilo político, foi alvo hoje em Lisboa de uma manifestação de apoio, em que participaram cerca de 30 pessoas.

"Libertem Assange e deixem-no ir para o Equador", "Reino Unido protegeu Pinochet, um assassino de massas, e persegue Assange" e "Reino Unido igual a ditadura" eram algumas das frases que constavam de cartazes improvisados que alguns manifestantes ostentavam, nas imediações da embaixada do Reino Unido em Lisboa, num protesto convocado pelo portal na Internet Tugaleaks.

O fundador do Tugaleaks, Rui Cruz, disse aos jornalistas que "o Reino Unido ameaçou o Equador de que poderia entrar na embaixada, que é um território soberano, e remover de lá Julian Assange, que está alegadamente acusado de crimes de violação" na Suécia, que reclama a sua extradição.

"O que o Reino Unido está a fazer, embora queira admitir ou não, é a jogada dos EUA e da Suécia, que querem, em coligação, pressionar o Reino Unido, para que consigam remover Julian Assange da embaixada do Equador, onde já tem asilo, e assim o consigam parar de publicar documentos no Wikileaks", referiu Rui Cruz.

Segundo os seus apoiantes, Assange receia que, em caso de extradição do Reino Unido para a Suécia, seja depois extraditado para os EUA, onde poderia responder por acusações de espionagem, por ter divulgado no site na Internet WikiLeaks milhares de documentos diplomáticos norte-americanos, incorrendo mesmo na pena de morte.

"O Reino Unido deve imediatamente fazer um pedido de desculpas ao Equador, deve deixar que a soberania fale por si e que o Equador seja livre de transportar Julian Assange para o país, onde ele já tem asilo", defendeu ainda o fundador do Tugaleaks, que consubstancia também um movimento online pela "verdade da informação".

Queixa na Suécia é "manobra da CIA"

Por sua vez, uma manifestante, Maria José, disse à agência Lusa que "aquela última queixa que foi feita contra Assange na Suécia é uma manobra da CIA e do Governo dos EUA, que não lhe perdoam por ter dito e exposto a verdade".

"Em relação ao Reino Unido, é muito triste que tenham dado proteção a um assassino de massas como Pinochet, cuja extradição foi pedida para Espanha pelo juiz Baltazar Garzon na altura, recusaram-se a extraditá-lo e agora querem por força extraditar Assange para a Suécia, de onde se sabe que será extraditado para os EUA", acrescentou.

Maria José disse também que a Suécia pode dizer que não extradita "se houver pena de morte", mas realçou que "há pena perpétua" nos EUA.

"Isto é uma questão política. Ele pediu asilo numa embaixada, está dentro de uma embaixada, o Reino Unido não pode ameaçar que invade uma embaixada. Seria um precedente grave", referiu.

Os manifestantes não entregaram qualquer documento na embaixada do Reino Unido, mas Rui Cruz disse que na quinta-feira vai fazer chegar aos serviços consulares fotografias e vídeos do protesto realizado hoje.

A manifestação decorreu de forma pacífica e no local encontrava-se um dispositivo policial, que manteve os manifestantes a alguma distância do edifício da embaixada do Reino Unido em Lisboa.

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