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Reino Unido: famílias das vítimas do Domingo Sangrento indemnizadas

O Governo do Reino Unido vai indemnizar as famílias dos 13 manifestantes mortos a tiros por soldados britânicos em 1972, incidente na Irlanda do Norte que entrou para a história como o Domingo Sangrento.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Quarenta anos depois, o Ministério da Defesa britânico anunciou que vai pagar uma compensação económica aos familiares das vítimas mortais e dos feridos do "Bloody Sunday" (Domingo Sangrento). O Governo admitiu que as forças armadas atuaram "de maneira equivocada" durante a manifestação pelos direitos civis na Irlanda do Norte. Não foram anunciados os valores das indemnizações.

Num comunicado divulgado ontem pela BBC, o Governo reconhece "a dor dessas famílias durante 40 anos".

A 30 de janeiro de 1972, soldados britânicos do Primeiro Regimento de Paraquedistas dispararam contra participantes de uma manifestação a favor dos direitos civis no bairro católico irlandês de Bogside, em Derry, provocando a morte de 13 e ferimentos em muitos outros.

Cameron: vítimas eram "inocentes"

A compensação às famílias foi anunciada depois que os advogados (das vítimas do Domingo Sangrento) apresentaram uma petição ao primeiro-ministro britânico, David Cameron. Não foram anunciados os valores da indemnização, mas o Ministério da Defesa prometeu resolver o assunto com a maior celeridade possível.

Na carta enviada ao primeiro-ministro, o escritório de advogados Madden e Finucane, que representa muitas dos familiares das vítimas, pergunta ao Governo britânico que medidas iria adotar para os "compensar totalmente" pela "perda dos seus entes queridos, ferimentos de outros e acusações vergonhosas de que mancharam o seu bom nome durante muitos anos".

Cameron reconheceu que os manifestantes mortos a tiros por soldados britânicos eram "civis inocentes". "Foi mal. O que aconteceu nunca deveria ter acontecido. O Governo é o último responsável pela conduta das forças armadas e por isso, em nome do Governo, em nome do nosso país, lamento profundamente", manifestou.

Em junho do ano passado, o primeiro-ministro apresentou ao parlamento um relatório feito por um juiz do Supremo Tribunal sobre o incidente de 1972.