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Atualidade / Arquivo

Referências a José Sócrates no julgamento Freeport

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Com as câmaras de TV à porta, o Tribunal do Barreiro deu início ao julgamento de um dos processos-crime mais mediáticos dos últimos anos.

Micael Pereira (www.expresso.pt)

Sem grandes surpresas, e um ano e meio depois de o Ministério Público ter acusado dois arguidos, o julgamento do caso Freeport teve início esta quinta-feira no Tribunal do Barreiro.

Dos sete arguidos constituídos pelo Ministério Público durante a investigação, apenas dois acabaram por ser acusados: Manuel Pedro e Charles Smith, sócios da empresa de consultoria Smith&Pedro. Não de corrupção, o crime que esteve sempre em causa durante a investigação à aprovação ambiental do outlet Freeport em Alcochete (quando José Sócrates era ministro do Ambiente), mas do crime de tentativa de extorsão.

Com dois meses pela frente, e três sessões por semana, o julgamento começou com a audição de duas testemunhas que tinham sido ouvidas logo no início da investigação, em 2005, pela Polícia Judiciária e que reforçaram a suspeita de um alegado suborno ao então ministro José Sócrates.

Fernanda Guerreiro trabalhava na Direção Regional do Ambiente e Mónica Mendes era funcionária numa das empresas do arguido Manuel Pedro. Confrontada com as declarações dadas à Polícia Judiciária em 2005, Fernanda Guerreiro acabou por recuar, admitindo que, afinal, Manuel Pedro não lhe dissera diretamente que tinha pago 250 mil euros a José Sócrates, mas que corriam boatos sobre o assunto e que esse pagamento ficou implícito numa conversa mantida com o arguido.

43 testemunhas arroladas

Já Mónica Mendes, que afirmara à PJ que ouviu Manuel Pedro referir-se a esse montante e a José Sócrates, viu a sua audição ser interrompida, para ser retomada na próxima segunda-feira, na próxima audiência de julgamento.

De manhã tinha sido ouvido ainda Francisco Ferreira, presidente da Quercus. O dirigente da associação ambientalista disse ter estranhado a forma como o centro comercial em Alcochete foi aprovado, em pouco tempo e a três dias das eleições legislativas, e apesar de estar junto à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.

Ao todo, o Ministério Público arrolou 43 testemunhas, entre elas nove cidadãos ingleses que trabalham ou trabalharam no grupo britânico Freeport. A defesa de Manuel Pedro e Charles Smith, representada pela advogada Paula Lourenço, arrolou três testemunhas apenas e requereu ao tribunal que os dois arguidos fossem ouvidos só depois de todas as testemunhas terem falado.