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Rainha Joana conquista Versalhes

A exposição de Joana Vasconcelos abriu ao público no Palácio de Versalhes, em Paris, e tal como as anteriores, irritou os ultraconservadores.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

Como aconteceu com as anteriores exposições de arte contemporânea no Palácio de Versalhes, a de Joana Vasconcelos, que hoje abriu ao público, foi também atacada pelos ultraconservadores.

A moralista "Société des amis de Versailles", dirigida pelo barão Roland de l'Espée, reagiu violentamente. "É a vez de Joana Vasconcelos, a rainha dos Tampax, caçarolas e outros utensílios irrisórios, de ridicularizar a mulher e impor as suas sujeiras ao nosso património mais prestigiado", escreve o barão num blogue.

No entanto, estas críticas não ultrapassam as fronteiras dos círculos conservadores. A generalidade dos media franceses é, sobretudo, muito elogiosa com o trabalho que a artista portuguesa apresenta no célebre Palácio - muitos dos títulos chamam-na "Rainha Joana".

A imprensa chega a destacar mesmo, com estranheza, que a "A Noiva", um gigantesco lustre construído com milhares de tampões femininos, tenha sido vetado pela diretora do Palácio.

Joana "mais do que dececionada" com censura à "Noiva"

Ontem, na apresentação da exposição à imprensa, Joana Vasconcelos também foi frontal nas críticas à opção da direção sobre o lustre. Em declarações aos jornalistas, entre eles este correspondente, deplorou o veto. "Fiquei mais do que dececionada", disse a artista.

"É muito complicado porque 'A Noiva' é uma peça muito importante que integraria esta mostra de uma forma essencial, porque esta exposição é à volta da figura feminina em Versalhes, das rainhas e das mulheres que viveram aqui", acrescentou. "É uma peça com um simbolismo fortíssimo sobre a mulher, que integraria perfeitamente o espaço e, portanto, não tê-la aqui é, para mim, uma grande lacuna".

No entanto, Joana Vasconcelos estava muito satisfeita com o conjunto da exposição, que inclui diversos trabalhos importantes da artista e se estende do fabuloso jardim, com gigantescos trabalhos em ferro rendilhado, até escadarias e diversos salões do interior.

Aqui, os já celebres sapatos Marilyn, construídos com panelas, tachos e testos, um supreendente Lilicoptère (um helicóptero dourado muito feminino, coberto com plumas de avestruz cor de rosa) e duas estátuas de leões vestidos com rendas brancas dos Açores, fazem parte das principais atrações das diversas instalações. 

Entre estas últimas, destaque também para o "Coração Independente Vermelho", na Sala da Paz, que vai viver nos proximos tempos acompanhado em permanência por três fados de Amália Rodrigues. 

Joana Vasconcelos "tomou posse de Versalhes como uma tigresa", escreve hoje o diário "Le Figaro". A exposição estará patente até 30 de setembro.

A artista plástica inaugurou no domingo uma exposição com as suas obras no Palácio de Versalhes, em Paris
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A artista plástica inaugurou no domingo uma exposição com as suas obras no Palácio de Versalhes, em Paris

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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, com Joana Vascocelos na cerimónia de abertura
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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, com Joana Vascocelos na cerimónia de abertura

A inauguração contou ainda com a presença do Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa
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A inauguração contou ainda com a presença do Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa

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Joana Vasconcelos com Jean-Francois Chougnet, comissário da exposição, e Catherine Pegard, diretora do Palácio, numa visita para a imprensa realizada ontem
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Joana Vasconcelos com Jean-Francois Chougnet, comissário da exposição, e Catherine Pegard, diretora do Palácio, numa visita para a imprensa realizada ontem

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