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Qualidade de vida dos portugueses abaixo da média

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Fosso entre ricos e pobres em Portugal é "considerável" e portugueses são dos menos "satisfeitos com a vida", perdendo apenas para a Turquia, revela relatório da OCDE sobre qualidade de vida em 36 países hoje divulgado em Paris.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Entre os 30 países da Organização  para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal é o segundo país cuja população está menos satisfeita com a vida. Pior mesmo só na Turquia.

No Better Life Index (Índice para uma vida melhor), estudo hoje divulgado em Paris, instados a avaliar a sua satisfação geral com a vida, numa escala de 0 a 10, os portugueses deram como resposta 5,2. Valor este que fica muito abaixo da média europeia de 6,7.

Portugal é, támbém, o país onde há mais disparidade no indicador "satisfação com a vida" entre quem tem e quem não tem estudos superiores. E o fosso entre ricos e pobres é considerável: 20% da população rica ganha seis vezes mais do que os 20% da população mais pobre.

Como é habitual, é nos países nórdicos e em alguns anglófonos (Cana e Austrália) onde se registam os  maiores  níveis de  satisfação com a vida.

Portugal saiu mal na fotografia

O Better Life Index (BLI) da OCDE é um conjunto de indicadores com o objetivo de medir a qualidade de vida. Além dos 30 membros da Organização, o Index apresenta dados de seis outros países (Indonésia, China, Índia, África do Sul e, pela primeira vez, Brasil e Rússia).

Entre os 36 países, e considerando os 11 indicadores (habitação, rendimento, trabalho, comunidade, educação, ambiente, Governo, saúde, satisfação com a vida, segurança e equilíbrio casa-trabalho), Portugal fica-se pelo 29º lugar.

Além do baixo índice de satisfação com a vida, Portugal tem também uma das mais significativas diferenças relacionadas com a distribuição das tarefas domésticas. Nós, por cá, temos os homens a trabalhar um terço do que trabalham as mulheres. Ou seja, os homens dedicam apenas 96 minutos por dia para cozinhar, limpar ou cuidar das crianças, contra os 328 minutos que passam as mulheres nestas tarefas, e menos do que a média de 131 minutos da média da OCDE.

Outro dos pontos negativos de Portugal é o fato de os jovens entre os 15 e os 25 anos apresentarem uma taxa de desemprego de 22,3%, em comparação com a média da OCDE, que é de 16,7%. Além disso, 5,6% da população está desempregada desde há um ano ou mais, quando a média na OCDE é de apenas 3%.