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Prozac não funciona

O conhecido anti-depressivo, assim como os outros medicamentos similares, é tão eficaz como um placebo, alerta um estudo publicado esta terça-feira numa revista cientifica.

Prozac, o anti-depressivo que é tomado por 40 milhões de pessoas em todo o mundo, não funciona, assim como os outros medicamentos do mesmo género, refere um estudo divulgado esta terça-feira na revista médica 'Public Library of Science'.

O estudo examinou toda a informação existente sobre este tipo de medicamentos, entre a qual exames clínicos que as farmacêuticas optaram por não publicar anteriormente. Os exames compararam os efeitos registados em pacientes que tomaram as drogas em causa com outros que tomaram um placebo ou um "comprimido" de açúcar. Os resultados mostram que os pacientes tiveram melhoras, mas que estas foram registadas a nível semelhante, tanto nos que tomaram as drogas anti-depressivas como os que tomaram um placebo. A única excepção ocorreu nos pacientes com depressões mais profundas, mas os investigadores acreditam que, provavelmente, tal terá ocorrido por o placebo ter deixado de funcionar tão bem e não por as drogas funcionarem melhor.

O estudo foi conduzido pelo professor Irving Kirsch, do departamento de Psicologia da Universidade de Hull, no Reino Unido, em colaboração com investigadores dos Estados Unidos e do Canadá. O mesmo tipo de resultados foi observado nos exames relativos a fluxetine (Prozac), paroxetine (Seroxat), venlafaxine (Effexor) e nefazodone (Serzone). "Utilizando toda a informação existente (incluindo a que não foi publicada), descobrimos que os efeitos da nova geração de medicamentos anti-depressivos ficam abaixo dos critérios recomendados para terem relevância clínica", escreveram os investigadores.

Dois outros populares anti-depressivos não foram incluídos no estudo porque os cientistas não conseguiram obter a informação necessária.

A farmacêutica Eli Lilly já facturou com o Prozac 10 bilhões de dólares. A Eli Lilly contestou as conclusões do estudo afirmando que "amplas experiências médicas e cientificas têm demonstrado que o fluxetine é um eficaz anti-depressivo". "Desde a sua descoberta em 1972, fluxetine tornou-se num dos medicamentos mais estudados. Lilly orgulha-se da diferença trazida pelo fluxetine, sentida por milhões de pessoas afectadas por depressões", referiu a farmacêutica num comunicado.