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Protesto antinuclear inédito em Tóquio reúne intelectuais japoneses (fotogaleria)

Há um grupo de intelectuais que se opõe à produção de energia nuclear no Japão e que sairam à rua num protesto inédito.

Ana C. Oliveira (www.expresso.pt)

O japonês Kenzaburo Oe, prémio Nobel da literatura, foi um dos dinamizadores do protesto antinuclear que ocorreu ontem, em Tóquio. Os manifestantes exigiram mudanças na política energética do Japão, de forma a evitar novos desastres nucleares como o que se sucedeu ao terramoto de 11 de março. A sociedade japonesa, geralmente pouco dada a manifestações públicas contra o Governo, saiu à rua incentivada pelo acidente nuclear de Fukushima, o mais grave desde Chernóbil, que desalojou 100 mil pessoas numa área de 40 quilómetros em redor da central e comprometeu a qualidade de vida das gerações atuais e futuras. De acordo com os dados da polícia, mais de 20 mil pessoas estiveram presentes no parque Meiji, no centro de Tóquio, onde o protesto teve lugar, mas os organizadores afirmam que o número foi superior a 50 mil. Um inquérito realizado pela agência Associated Press, o mês passado, já teria aferido que cerca de 55% dos japoneses quer reduzir o número de reatores nucleares. Antes do acidente em Fukushima, apenas 28% da população seria a favor de soluções antinucleares.

Haruki Murakami é um dos intelectuais contra a energia nuclear

No protesto realizado ontem, em Tóquio, estiveram presentes vários intelectuais japoneses, nos quais se incluem o prémio Nobel da literatura, Kenzaburo Oe, e o compositor Ryuichi Sakamoto. Mas nomes como o do conhecido romancista Haruki Murakami também fazem parte do grupo que luta contra a utilização de energia nuclear no Japão. Em junho deste ano, Murakami discursou em Barcelona, lastimando que um país vítima de duas bombas atómicas estivesse agora envolvido numa catástrofe nuclear que, segundo o autor, "nós próprios [os japoneses] provocámos". "Os japoneses deveriam ter renegado a energia nuclear, em vez de se deixarem guiar pelo critério fácil da maior eficiência", conclui o escritor no referido discurso. Seis meses depois do terramoto de 11 de março, os esforços para controlar a danificada estação nuclear de Fukushima continuam. O Governo estima que, em final de 2011, todos os reatores estejam desativados.

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Kenzaburo Oe, prémio Nobel da literatura
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Kenzaburo Oe, prémio Nobel da literatura

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