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Promessa de Menezes de "desmantelar" o Estado em 6 meses "tem toque anarquista"

A entrevista que Luís Filipe Menezes deu ao Expresso, em que sugeriu que o "excessivo peso do Estado" devia ser desmantelado, já teve resposta do ministro das finanças.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou que a promessa do líder do PSD, Luís Filipe Menezes, de desmantelar o Estado em seis meses é "infeliz" e "tem um toque um pouco anarquista".

Em entrevista ao semanário Expresso, o líder social-democrata promete fazer uma "aposta radical" de, em "meia dúzia de meses", "desmantelar de vez o enorme peso de o Estado tem e que oprime as pessoas".

Em declarações aos jornalistas, à entrada do Museu de Arte Moderna da Fundação de Serralves, no Porto, Teixeira dos Santos afirmou que "desmantelar é um termo com o seu toque um pouco anarquista, porque só os anarquistas é que acham que se deve acabar com o Estado".

"Os estados não se desmantelam, os estados reformam-se, modernizam-se, para responder aos desafios de uma sociedade que se está a transformar e a modernizar", argumentou.

Para o ministro, falar em desmantelar o Estado é usar uma linguagem "exagerada e até perturbadora", considerando que "desmantelar um estado é, no fundo, paralisar e acabar com instituições das quais dependem a vida e a segurança dos cidadão".

"A ideia de desmantelar é introduzir um elemento de instabilidade no funcionamento do Estado e da sociedade portuguesa. O que nós precisamos é de estabilidade", defendeu Teixeira dos Santos.

Na entrevista ao Expresso, Luís Filipe Menezes reitera a sua proposta de reduzir o peso do Estado, prometendo que, se ganhar as eleições legislativas em 2009, irá "liberalizar a legislação laboral", argumentando que não é possível ter o "melhor de dois mundos".

O líder social-democrata volta a defender privatizações nas áreas do ambiente, comunicações, transportes e portos.

Na saúde, educação e segurança social, Luís Filipe Menezes insiste na proposta de pôr fim ao "monopólio" do Estado, preconizando a contratualização com os privados.

"A única maneira de salvar o Estado Social é acabar com o tabu de que o Estado deve ser o único a prestar serviços", salienta.

Para o ministro das Finanças, "querer acabar com a segurança social, o serviço nacional de saúde e o sistema de educação é uma coisa muito grave para o futuro do país".

A entrevista a Luís Filipe Menezes pode ser lida na íntegra na edição impressa do Expresso, ou no artigo anexo.