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Atualidade / Arquivo

Promessa de alojamento trama João Loureiro

A oferta de estadia num hotel do Porto a um familiar do árbitro Jacinto Paixão no fim-de-semana do jogo Boavista-Estrela da Amadora ditou a acusação do ex-presidente do Bessa por corrupção desportiva activa.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Escutado durante um ano e meio pela Polícia Judiciária do Porto, João Loureiro afirma que as razões que levaram à sua acusação neste processo são um atestado de bom comportamento. "Se o mais grave que conseguiram apurar foi uma conversa inóquia com uma pessoa próxima do árbitro sobre a possível oferta de alojamento a um familiar do árbitro, que nem aconteceu, então a conclusão a que as escutas só provam o meu bom comportamento como presidente do Boavista e na minha vida privada", concluiu João Loureiro, hoje, durante uma conferência de Imprensa num restaurante da família, no Porto.

Afirmando sentir-se injustiçado com o teor do despacho do Tribunal de Investigação Criminal (TIC) do Porto, o ex-líder do Bessa sustenta que a decisão "foi infeliz", por contrariar os mais básicos princípos do direito penal. "A conclusão do despacho de instrução é que como existem algumas contradições no processo, o melhor é ir a julgamento. Sou jurista de profissão e, por isso, entendo que na dúvida este processo devia ter sido arquivado", acrescenta.

Outra das perplexidades de João Loureiro são os motivos pelos quais nem PJ, ou o Ministério Púbico, visualizou a cassete-vídeo do jogo em causa e que terá sido enviada durante o debate instrutório. João Loureiro fez questão de lembrar que desde que foi despoletado o Apito Dourado foi investigado em 11 processos, "seis arquivados em outras tantas comarcas e quatro pela equipa de Maria José Morgado". Na interpretação de João Loureiro, na decisão do seu pronunciamento terá pesado o mediatismo do caso, bem como a pressão para que a investigação apresente resultados.

Convicto que este processo ruirá, tal como os outros, como um baralho de cartas por falta de provas, o ex-presidente do Boavista observou ainda não entender em que critérios assentou a acusação, que frisa ter por base meras interpretações e não factos. Em sua defesa lembra que o Boavista perdeu o jogo contra o último classificado da Liga 2003/04, na altura já despromovido à II Liga, e que Jacinto Paixão, acusado de corrupção desportiva passiva, acabaria por descer de divisão. "Não sei como é que a equipa que está a investigar este processo arquiva um crime, confessado pela própria arguida, e na dúvida manda para julgamento este", concluiu João Loureiro, numa alusão que não quis precisar em relação a Carolina Salgado, que confessou ter intermediado as agressões a Ricardo Bexiga.

Para além de João Loureiro, vão ainda a julgamento Valentim Loureiro, também acusado de corrupção activa desportiva, bem como José Alves (observador) e Pinto Correia (assessor do Conselho de Arbitragem da FPF), pronunciados por corrupção desportiva passiva. Todos os acusados incorrem em penas de prisão de seis meses a cinco anos, sujeitos ainda a suspensão da actividade desportiva de 2 a 6 anos.