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Princesa jugoslava e inglesa rica tramaram o clã Sarkozy

Nicolas Sarkozy já desmentiu saber dos alegados financiamentos ilegais e denunciou uma maquinação, mas o seu nome continua hoje a ser citado na imprensa francesa como estando envolvido diretamente no processo

Horacio Villalobos/EPA

Rancorosas, duas ex-mulheres de dois dos três principais acusados no "escândalo Karachi" denunciaram os ex-maridos e puseram em pânico o Presidente francês.

Chamam-se Nicola Johnson e Helena da Jugoslávia, são louras e esbeltas cinquentonas. A primeira é uma inglesa rica e a segunda uma princesa jugoslava. Foram convocadas, no início deste mês, pelo juiz que investiga o "escândalo Karachi", sobre um atentado nessa localidade do Paquistão e o financiamento oculto de uma campanha eleitoral em França.

Contaram então ao magistrado segredos que puseram em pânico o círculo mais próximo do chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy. Ambas estão na origem das três primeiras acusações pronunciadas pelo juiz.

Nicola Johnson é divorciada de Ziad Takieddine, o intermediário franco-libanês que está no centro do alegado financiamento oculto, em 1995, da campanha eleitoral para a presidência de França do então primeiro-ministro, Edouard Balladur.

Nesta candidatura ao Eliseu, dissidente da de Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, na época ministro do Orçamento, era o porta-voz oficial de Balladur depois de ter "traído" Chirac, que, no entanto, conseguiria ser eleito Presidente. Takieddine, que é amigo de diversas personalidades de primeiro plano do "sarkozysmo", foi o primeiro a ser acusado pelo juiz de instrução.

Quanto a Helena da Jugoslávia, neta do rei italiano Umberto II, está separada de Thierry Gaubert, ex-conselheiro de Nicolas Sarkozy.   

Malas com dinheiro e contas secretas

Ambas denunciaram ao juiz atividades suspeitas dos ex-maridos: disseram tê-los visto com malas cheias de dinheiro líquido para a campanha de Edouard Balladur e saberem da existência de contas secretas na Suíça com o mesmo fim.

Este caso envolve ainda Nicolas Bazire, amigo pessoal de Nicolas Sarkozy, seu padrinho de casamento com Carla Bruni e, tal como Thierry Gaubert, seu ex-conselheiro e figura de primeiro plano na equipa eleitoral de Edouard Balladur.

Depois de ouvidos pelo magistrado, Bazire e Gaubert foram acusados de envolvimento no financiamento ilegal da campanha de Balladur para as presidenciais.

Sarkozy desmentiu mas continua a ser citado

O Presidente francês desmentiu ontem ter tido conhecimento dos alegados financiamentos ilegais e denunciou uma maquinação. Mas o seu nome continua hoje a ser citado na imprensa francesa como estando envolvido diretamente no processo.

O jornal "Le Monde" revela hoje uma conversa telefónica de Brice Hortefeux, ex-ministro do Interior e igualmente amigo muito íntimo do Presidente, com Thierry Gaubert, gravada pelos investigadores, na qual o primeiro avisa o segundo: "A tua mulher está a abrir a boca demais".

Segundo o Mediapart, um site de informação dirigido pelo jornalista de investigação Edwy Plenel, ex-diretor do "Le Monde", Nicolas Sarkozy estaria a par, com Nicolas Bazire, da criação de uma outra conta secreta, no Luxemburgo, para acolher os financiamentos ocultos. O site Mediapart revela um relatório da polícia luxemburguesa sobre o assunto.  

Vinganças

A investigação sobre escândalo começou em 2002, depois de um atentado em Karachi que fez 15 mortos, entre os quais 11 engenheiros franceses que trabalhavam para as Direção das Construções Navais francesas. Aparentemente, o atentado terá sido uma retaliação de intermediários paquistaneses descontentes por terem visto suspensos os pagamentos das suas comissões sobre um negócio de venda de armamento pesado francês ao Paquistão pelo Governo de Edouard Balladur, no qual figurava Nicolas Sarkozy como ministro do Orçamento.

Teria sido Jacques Chirac quem, depois de eleito para o Eliseu, suspendeu os pagamentos, "vingando-se" desse modo das "traições" de Edouard Balladur e de Nicolas Sarkozy.

Agora, a princesa e a inglesa rica terão denunciado os ex-maridos por não terem ficado satisfeitas com as indemnizações e pensões que eles acordaram pagar-lhes.