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Primeira estação de hidrogénio já abriu no Reino Unido (vídeo)

Combustível  alternativo ao petróleo já abastece automóveis e com prestações quase idênticas à dos veículos convencionais. E agora há quem queira pô-los a andar com... urina.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

Depois dos Estados Unidos e do Japão, eis que chega ao Reino Unido a primeira estação de abastecimento de hidrogénio aberta ao público, na localidade de Swindon, cerca de 120 quilómetros a oeste de Londres.

Para já o projeto é experimental, dado o universo muito restrito de automóveis que circulam movidos a hidrogénio, um sistema que junta este gás - bastante abundante na natureza, ainda que não na sua forma simples - ao oxigénio para produzir energia eléctrica, que por sua vez move o motor.

É o caso do Honda FCX Clarity, um automóvel familiar capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 9 segundos, com uma velocidade máxima de 160 kms/h e uma autonomia de 434 quilómetros.

Quanto custa o hidrogénio?

Os céticos têm apontado o preço do hidrogénio - habitualmente produzido a partir de metano ou gás natural - como um dos entraves à generalização deste combustível, por oposição ao custo da energia elétrica.

Mas segundo os promotores da iniciativa - a Honda, a BOC e a Forward Swindon - o hidrogénio poderá tornar-se quase tão acessível como a gasolina, de acordo com os primeiros testes realizados em 2008 pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos

Um quilograma de hidrogénio poderá rondar os 5 dólares - 3,7 euros - e encerra a mesma energia que 3,8 litros de gasolina. Isto significa que valeria o equivalente a 1 euro em gasolina, sendo que o motor elétrico do Honda é, segundo os especialistas, duas vezes mais eficaz do que os motores a gasóleo e três vezes mais que os motores a gasolina.

Simplificando, os promotores do projeto garantem que o Honda FCX rondará os consumos do Toyota Prius, um dos híbridos mais económicos da atualidade, com gastos já medidos que rondam os 3,8 litros de gasolina por cada 100 quilómetros.

Comparado com os atuais carros elétricos, com autonomias que não vão muito além dos 100 quilómetros, este veículo a hidrogénio consegue percorrer o quádruplo da distância, outro dos pontos fortes da iniciativa.

Fazer hidrogénio a partir da urina?

Do ponto de vista ambiental, convém ainda considerar que para a produção da energia elétrica que abastecerá os veículos elétricos são hoje em dia ainda utilizados muitos combustíveis fósseis, através de centrais elétricas a carvão ou a gás natural mas o processo de produção de hidrogénio também recorre ao gás natural, ele próprio um combustível fóssil.

Existem outros métodos de extração do hidrogénio - que é uma molécula omnipresente na Terra - mas podem ser mais caros, como é o caso da água.

Curiosamente, Gerardine Botte, uma cientista da Universidade de Ohio, nos EUA, afirma ter descoberto um método que terá uma dupla vantagem.

A ideia é produzir hidrogénio a partir da urina, usando elétrodos de níquel, num processo que teria a vantagem de reciclar um dos resíduos mais abundantes no planeta.