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Presidente checo diz que défices excessivos são inadmissíveis

Cavaco Silva e Vaclac Klaus respondem aos jornalistas na conferência de imprensa de hoje, no castelo de Praga

Miguel A. Lopes/Lusa

Na conferência de imprensa com Cavaco Silva, em Praga, Vaclav Klaus criticou derrapagens nos défices nacionais.

Luísa Meireles, na República Checa (www.expresso.pt)

O Presidente checo não tem papas na língua e hoje, na conferência conjunta com Cavaco Silva, no final do encontro de ambos no castelo de Praga, disparou: "Como antigo primeiro-ministro e primeiro-ministro, nunca admitiria défices como hoje se registam em alguns países europeus".

E continuou: "Por isso penso que se alguém o admitiu, tem agora que suportar as consequências desse acto".

Ambos os Presidentes tinham sido questionados sobre as possibilidades dos países em dificuldades e com défices excessivos poderem recuperar rapidamente da actual crise.

O tema constou das conversações entre os dois chefes de Estado, que se conhecem há longos anos e seguiram, até, percursos idênticos: ambos foram, primeiro, ministros das Finanças, depois primeiros-ministros e, finalmente, Presidentes dos seus respectivos países.

Cavaco Silva "amável"

Consciente da franqueza das suas declarações, Vaclav Klaus passou depois a palavra a Cavaco Silva, afirmando que tinha certeza que este seria "mais amável".

O Presidente português fez questão de dizer que seria nessa qualidade que responderia e sublinhou a existência de alguns sinais positivos de recuperação económica na União Europeia.

"Como país muito aberto ao exterior, Portugal vai depender do comportamento das economias para as quais exportamos e, ao mesmo tempo, recebemos turistas", afirmou.

Cavaco Silva expressou ainda a importância da solidariedade manifestada pelos países da União Europeia em relação à Grécia, "dado o perigo de contágio para outras economias, principalmente a Irlanda (de que se frequentemente se esquece), mas também Portugal e Espanha".

A República Checa tem uma situação equilibrada, com um défice previsto para 2010 de 5,3% do PIB e uma dívida pública que pouco ultrapassa os 39,2% do PIB. Devido à crise, a sua taxa de crescimento baixou - 4,3% em 2009, mas para este ano prevê já um crescimento positivo de 1,5%.

O país, recorde-se, não está no euro.

"Tratado de Lisboa agravou défice democrático"

O tema da União Europeia haveria de voltar a ser mencionado por Vaclav Klaus - um eurocéptico assumido - que, perguntado sobre se teria mudado de opinião em relação ao Tratado de Lisboa, de que foi feroz crítico, afirmou que, pelo contrário, não só "a União Europeia não se tornou mais capaz de agir, como se agravou ou défice democrático".

Vaclav Klaus sempre colocou fortes reservas ao Tratado de Lisboa e, depois de um longo percurso institucional, foi o último chefe de Estado europeu a subscrevê-lo, no final do ano passado.

O Tratado de Lisboa entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2010.