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Possível "ponto de viragem" na Síria

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No fim do encontro com o Presidente russo em Moscovo, Kofi Annan disse acreditar que o Conselho de Segurança da ONU vai saber elaborar uma resolução com fórmulas aceitáveis para todos sobre o conflito

Sergei Karpukhin/REUTERS

Rebeldes anunciam "batalha pela libertação de Damasco" e o Presidente Bashar al-Assad já reforçou o contingente de tropas na zona de conflito. A comunidade internacional está atenta.

Mariana Corrêa Nunes (www.expresso.pt)

O Exército Sírio Livre (ESL) intensificou hoje os ataques à capital síria, assegurando que só irá parar depois de conquistar totalmente Damasco. Muitos acreditam ser este um "ponto de viragem" no conflito na Síria, iniciado em março de 2011.

Em resposta, O Presidente Bashar al-Assad terá deslocado as suas tropas anteriormente fixadas nos Montes Golã, fronteira entre a Síria e Israel, para as zonas de conflito com os rebeldes, segundo relata o general Aviv Kochavi, chefe dos serviços de informações do Exército israelita.

"A vitória está próxima", assegura em comunicado o coronel Kassem Saadeddine, porta-voz do comando conjunto do ESL.

No comunicado, o Exército Sírio Livre ameaça dirigir ataques contra civis e militares do regime de Bashar al-Assad que "não tenham as mãos sujas de sangue", se estes não desertarem até ao final do mês, garantindo a sua segurança, caso se juntem aos opositores.

O plano dos rebeldes passa por uma "estratégia para conduzir o país a um estado de desobediência civil".

Kofi Annan pede "um sinal claro sobre a inadmissibilidade da violência"

A comunidade internacional está atenta e preocupada como conflito sírio. Kofi Annan, enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, encontrou-se hoje com o Presidente russo Vladimir Putin.

No final do encontro, Annan disse acreditar que o Conselho de Segurança da ONU vai saber elaborar uma resolução com fórmulas aceitáveis para todos sobre o conflito e apelou àquele organismo que "envie um sinal claro sobre a inadmissibilidade da violência".

Israel alerta para "iraquização" da Síria

Apesar da Síria continuar formalmente em guerra com Israel, que em 1967 ocupou parte dos Montes Golã , o general israelita Aviv Kochavi considera que "ele [Bashar al-Assad] neste momento não tem medo de Israel, quer sobretudo aumentar a suas forças em volta de Damasco".

No atual contexto de conflito interno, "a probabilidade de um conflito entre Israel e a Síria, como último recurso de Bashar al-Assad, é baixa", considera o general. Aviv Kochavi adverte, no entanto, que o "islamismo radical" está a ganhar terreno na Síria e que o país está a sofrer um processo de "iraquização", com fações tribais a controlarem diferentes zonas do país.

"Podemos observar um fluxo contínuo de militantes da Al-Qaeda e 'jihadistas' para a Síria", diz o militar israelita.

Bashar al-Assad "não vai sobreviver à revolta"

Com o enfraquecimento do regime de Assad, "os Montes Golã podem tornar-se uma arena de atividade anti-israelita, semelhante à situação no Sinai, devido ao crescente movimento 'jihadista' na Síria", insiste o chefe dos serviços de informações do Exército israelita.

Aviv Kochavi considera que o Presidente sírio "não vai sobreviver à revolta" e que "o Hezbollah e o Irão estão a preparar o dia em que Assad cair".

O general conclui que Israel está a acompanhar de perto a "possibilidade de armamento avançado e não convencional ir parar a grupos terroristas".

Bagdad pede aos iraquianos que abandonem a Síria

Também o regime iraquiano está atento aos avanços na Síria e pediu hoje aos seus cidadãos residentes naquele país, na sua maioria refugiados do conflito no Iraque, para regressarem devido aos "crescentes ataques" de que são alvo.

O apelo foi feito um dia depois da entrega, num posto na fronteira entre os dois países, dos cadáveres de dois jornalistas iraquianos que foram esfaqueados e alvejados a tiro em Damasco.

Para o Exército Sírio Livre, são alvos legítimos "os membros do Partido do Demónio [uma referência ao grupo xiita libanês Hezbollah], os membros da guarda revolucionária do Irão e as organizações palestinianas pró-Assad".

No mês passado, o vice-chefe do Estado-Maior General israelita, major Yair Naveh, afirmou que a Síria "tem o maior arsenal de armas químicas do mundo".