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Português despedido ilegalmente na Holanda confiante na indemnização

Subiu hoje ao tribunal de Zandaam, o caso de despedimento sem justa causa de Hélder Carril, um trabalhador temporário português que decidiu dar a cara e lutar contra a exploração laboral de que foi vítima na Holanda. A decisão do juíz vai ser conhecida na próxima terça-feira.

"Estou nervoso, super-cansado, mas os ventos parece que estão finalmente a mudar para o meu lado". Era este o estado de espírito de Hélder Carril à saída do tribunal de Zandaam, após o julgamento do caso de despedimento ilegal de que foi vítima na Holanda. Uma realidade comum a milhares de outros trabalhadores temporários portugueses.

Ao fim de mais de seis meses a viver da caridade alheia, o jovem do Porto começa a ver a luz ao fundo do túnel. "O advogado está confiante e dentro de uma semana temos a decisão do juiz", explica Hélder, que acredita na hipótese de receber uma indemnização entre os seis e os quinze mil euros por ter sido despedido após adoecer, sem receber os ordenados em atraso.

Embora esperançado na rápida resolução do caso, o trabalhador do Porto não esconde que a ida a tribunal foi dura. "Estar em frente àquelas pessoas que já me prejudicaram tanto e ouvi-las a mentir sobre mim matou-me", conta. "Eles apresentaram cartas assinadas à última hora por outros trabalhadores que garantem que os viram a pagar-me vales de adiantamento. O meu advogado diz que o juiz não ficou muito convencido".

A acompanhar Hélder esteve uma tradutora portuguesa da Lize, uma organização que tem estado a acompanhar o caso e que se dedica ao aconselhamento e integração de emigrantes sul-europeus na Holanda. A imprensa holandesa também continua a seguir a história do trabalhador português. Resta a todos esperar pela decisão do juiz, que deverá ser conhecida na próxima terça-feira.

Hélder Carril e Vânia Alves são o espelho dos cerca de cinco mil trabalhadores temporários portugueses que todos os anos rumam à Holanda, aliciados por angariadores ou anúncios de jornal com promessas de dinheiro fácil.

Durante dois anos trabalharam arduamente e viveram em casas com condições desumanas. O dinheiro prometido, tanto em agências de trabalho temporário como em contratos directos, nunca lhes chegou a ser pago. A história repete-se, mas são raros os que ficam para apresentar queixa. Vânia e Hélder decidiram ficar.

Actualmente, têm um processo de despedimento sem justa causa em tribunal e dependem da caridade de um casal de holandeses, que lhes ofereceu um sótão de três metros quadrados para viver. Ele está doente, incapacitado para trabalhar. Ela faz de tudo para contornar os obstáculos burocráticos impostos pela sociedade da flexisegurança. Depois de meses de exploração, sentem-se "abandonados tanto por Portugal como pela Holanda".