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Portugal cria rede social para voluntários

Isabel Jonet lança a 1 de fevereiro o Volunteerbook, que eleva a Bolsa do Voluntariado à escala mundial.

Raquel Moleiro (www.expresso.pt)

"Mas já foi à Bolsa procurar?" A frase é repetida múltiplas vezes, todos os dias, por Isabel Jonet às instituições particulares de solidariedade social (IPSS) que lhe ligam a carpir problemas, a pedir ajudas. O rosto do Banco Alimentar Contra a Fome preside também à Bolsa do Voluntariado, onde em quatro anos conseguiu reunir 16.767 pessoas disponíveis para doar o tempo e aptidões a 963 organizações. "Se precisam de quem ajude as crianças do ATL a fazer os trabalhos de casa, há lá. Ou quem conduza as carrinhas, encontram lá. Ou até quem lhes faça a contabilidade ou projetos de arquitetura".

Em www.bolsadovoluntariado.pt os números de necessidades e vontades de ajudar duplicaram em dois anos. Mas, em 2011, Ano Europeu do Voluntariado, Isabel Jonet quer dinamizar ainda mais o projeto. "A 1 de fevereiro lançamos o Volunteerbook. Já registei o nome e tudo. É uma rede social do voluntariado, que parte da base de dados da Bolsa e corre no Facebook", explica, com visível entusiasmo.

A plataforma vai permitir engordar a Bolsa com os projetos do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, Instituto Português da Juventude e Federação Nacional das Associações Juvenis (três parceiros da rede) e, potencialmente, com todos os membros do Facebook. Quase automaticamente haverá uma ligação às bolsas de voluntariado internacionais.

"Não tolero o desperdício de pessoas. Há cada vez mais pessoas válidas que se reformam prematuramente, e desempregados. É preciso aproveitá-los". diz Isabel Jonet. "E o que há mais é jovens com tempo de sobra, que deviam ser levados pelas escolas para a intervenção cívica. Como não são, vamos buscá-los onde estão. O mundo mudou. E estas criaturas, que são os nossos filhos, vivem nas redes sociais".

Potencial estatístico

No Volunteerbook, cada potencial voluntário inscreve-se e detalha onde e em que áreas pretende ajudar. As organizações, por seu lado, publicitam as suas oportunidades de voluntariado, têm os interessados a concorrer diretamente e selecionam o que mais lhes convém. A Entrajuda, entidade que coordena a Bolsa, só medeia o 'negócio', certificando que nenhuma instituição age de forma menos 'solidária'.

Graças à georreferenciação da oferta e procura, é fácil conciliar a localização dos voluntários com as instituições que precisam de apoio. Cada 'amigo' pode depois convidar mais amigos, partilhar ligações e até usar 'facebookcredits' - o dinheiro virtual existente, por exemplo, no jogo "Farmville" - para ajudar financeiramente as IPSS.

"O projeto tem também um potencial estatístico muito interessante. E, por isso, convidámos o INE - que aceitou - a integrar a plataforma e a partir daqui estudar o voluntariado em Portugal", revela Isabel Jonet.

Pedro Ferraz, gestor de projetos na área da informática, atualmente no desemprego, é o responsável pela rede social voluntária. Enquanto vai a entrevistas de emprego desenvolve o Volunteerbook. "Queremos também trazer as empresas para a plataforma. Vai ser possível publicitarem as suas práticas de responsabilidade social e promoverem o voluntariado junto dos colaboradores". explica.

Atualmente, a Bolsa de Voluntariado é maioritariamente composta por jovens adultos, com elevadas qualificações.

Quanto a áreas de especialidade, lideram os professores (mais de mil), e abundam psicólogos, engenheiros, gestores, informáticos, economistas e enfermeiros. As mulheres dominam.

Foi no dia 12 de dezembro, perto das 13 horas, que um incêndio deflagrou no supermercado Pingo Doce da Damaia. Os bombeiros da Amadora, Queluz e Estoril demoraram duas horas a controlar as chamas que destruíram o armazém e cobriram de fuligem o resto do edifício. O seguro deu tudo como perdido.

"Mas não para nós", explica Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar e da Entrajuda, instituição que coordena o Banco de Bens Doados e o Banco de Equipamentos. "Recebemos muitos e ótimos produtos recuperados, praticamente todo o recheio da loja. Tinham vestígios de fumo, mas como o fogo foi no armazém e eram produtos da loja foi só limpar". A comida seguiu para o Banco Alimentar. Fraldas, produtos de higiene e detergentes foram para o Banco dos Bens Doados. Os eletrodomésticos para o Banco de Equipamentos.

Texto publicado na edição do Expresso de 8 de janeiro de 2011