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Portas evita comentar austeridade por "patriotismo"

Partido tem pedido explicações ao líder do CDS, que convocou órgãos nacionais.

Filipe Santos Costa (www.expresso.pt)

Com o CDS em polvorosa com o agravamento das medidas de austeridade - e inúmeros responsáveis do partido a admitir a sua perplexidade e desconforto com o aumento da carga fiscal - Paulo Portas deu esta tarde um sinal do mal-estar que esta situação está a criar.

Numa curta declaração aos jornalistas, à entrada para uma audição no Parlamento, Portas admitiu que tem estado calado sobre as medidas de austeridade por uma questão de "patriotismo" - dando a entender que não terá nada de muito agradável a dizer sobre o assunto.

"A razão pela qual tenho sido prudente em declarações públicas chama-se patriotismo", disse Portas a caminho da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, onde está a ser ouvido sobre política externa. "Portugal foi avaliado pelos seus credores e, como sabem, não temos ainda condições para viver com independência desses credores. A meu ver, fazer declarações públicas quando decorre a avaliação sobre o nosso país seria um ato menos responsável." Uma frase que vai de encontro às poucas explicações que têm sido dadas por responsáveis do CDS sobre a posição do partido no agravamento da austeridade: a emergência financeria e a dependência de Portugal têm obrigado o partido a aceitar medidas que contrariam aquilo que tem defendido.

Argumentos que não têm chegado para sossegar não só as bases do partido - que se têm manifestado com grande irritação nas redes sociais - como muitos dirigentes de topo e deputados. Razão pela qual Portas anunciou a convocação dos órgãos nacionais do CDS.

"Terminada a avaliação, e sabendo que o trabalho em concreto vai até a apresentação do Orçamento, convocarei hoje a Comissão Política Nacional do CDS e pedirei a convocação do Conselho Nacional. Quero ouvir o partido, os seus militantes e dirigentes, e uma vez ouvidos, farei a súmula e dir-vos-ei o que penso."

A dúvida, segundo responsáveis do CDS ouvidos pelo Expresso, é se Portas aproveitará esse momento apenas para explicar a austeridade ao partido, ou para se apoiar no descontentamento das suas tropas para elevar a parada no Governo e tentar impor balizas nas medidas do próximo Orçamento.