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Portas e Sócrates trocam acusações sobre "calotes políticos"

Paulo Portas desafiou hoje Sócrates a demarcar-se das afirmações do ministro da Agricultura que o acusou de ter "calotes políticos", mas o primeiro-ministro defendeu que quem devia um pedido de desculpas era Paulo Portas.

Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, no Parlamento, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, desafiou Sócrates a demarcar-se das declarações de Jaime Silva, ministro da Agricultura, que acusou Portas de ter "calotes políticos". Mas o primeiro-ministro considerou que quem deve um pedido de desculpas era Paulo Portas.

Esta troca de acusações dominou o frente-a-frente entre Paulo Portas e José Sócrates no debate quinzenal no Parlamento, no final de uma semana em que Portas pediu explicações ao chefe do Governo e anunciou um processo contra o ministro Jaime Silva.

"O respeito que tinha por si perdi-o ao decidir não demarcar-se das afirmações do seu ministro (da Agricultura)", disse Portas, para quem "é preciso haver decência na política".

Portas acusa ministro de "insinuações pessoais"

Paulo Portas acusou o ministro da Agricultura de fazer "insinuações pessoais", de "se substituir ao poder judicial" e de ter contado com o silêncio do primeiro-ministro.

"O senhor calou-se", acusou o deputado e líder do CDS-PP, depois de lembrar que o ex-ministro Nobre Guedes foi ilibado no caso Portucale, Telmo Correia foi apenas testemunha e a ele próprio as autoridades não fizeram sequer uma pergunta.

O ministro Jaime Silva acusou o líder do CDS-PP de ter "calotes políticos, que são dívidas de explicações que ele não dá aos portugueses", referindo os casos Portucale, a venda do Casino de Lisboa e as fotocópias que Paulo Portas tirou no Ministério da Defesa antes de deixar o Governo em 2005.

Estas afirmações de Jaime Silva foram proferidas em resposta a Paulo Portas que, domingo, numa visita a Beja, tinha acusado o ministério da Agricultura de "praticar uma política de calote" em relação aos agricultores por pagamentos devidos que ainda não foram feitos, segundo o líder do CDS-PP.

Depois de Portas desafiar Sócrates a dizer se cauciona o comportamento de Jaime Silva, o chefe do Governo respondeu: "Não, não cauciono. A começar pelas suas".

Paulo Portas acusou José Sócrates de "não ter grandeza" ao não demarcar-se do seu ministro da Agricultura, de usar "o medo como instrumento político".

"Eu lhe garanto: eu não tenho medo de si", afirmou o ex-ministro da Defesa.

Em declarações aos jornalistas José Sócrates recusou-se a alimentar a polémica entre o presidente do CDS-PP e o ministro da Agricultura,e friou que Paulo Portas é que deveria começar por pedir desculpa a Jaime Silva.

"Estou aqui para discutir os interesses dos portugueses, do país e medidas políticas. Era o que me faltava perder o tempo do mundo a discutir o dr. Paulo Portas", declarou José Sócrates no fim do debate.