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Pereira Cristóvão tem processo disciplinar ainda pendente na PJ

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Caso das agressões à mãe de Joana já foi resolvido no tribunal, mas a PJ decidiu abrir um processo disciplinar contra os inspetores envolvidos, incluindo Paulo Pereira Cristóvão, o vice-presidente do Sporting.

Bruno Roseiro e Rui Gustavo (www.expresso.pt)

Paulo Pereira Cristóvão já saiu da Polícia Judiciária há cinco anos mas nem por isso está livre de um processo instaurado pelo departamento disciplinar da PJ. "Está acusado de violação de deveres e o processo ainda está pendente, na fase da defesa", explicou ao Expresso um advogado.

O vice-presidente do Sporting e cinco inspetores (incluindo Gonçalo Amaral) já tinham sido acusados pelo Ministério Público de agredir Leonor Cipriano, mãe de Joana, uma criança vista pela última vez em setembro de 2004.

Paulo Pereira Cristóvão foi absolvido durante o julgamento - só Gonçalo Amaral e outro inspetor, António Cardoso, foram condenados, por prestarem informações falsas - mas o procurador do departamento disciplinar da PJ considera que há provas suficientes para acusar, num processo menos exigente quanto às provas, como o disciplinar.

O dirigente do Sporting, agora suspeito de montar uma armadilha ao árbitro José Cardinal, saiu da PJ em 2007, na sequência do julgamento do caso da menina desaparecida, e uma eventual pena de suspensão não terá, obviamente, qualquer efeito prático.

Em dezembro do ano passado, em declarações ao "Diário de Notícias", Pereira Cristóvão mostrou-se revoltado com as conclusões do procurador do processo disciplinar: "Fico assombrado com o grau de inimputabilidade desse senhor. Como é capaz de escrever isso quando a Leonor Cipriano sempre disse que não lhe bati". 

De segurança a inspetor

Pereira Cristóvão entrou para a PJ em 1990 como segurança. Apesar de várias classificações de muito bom, foi condenado noutro processo displinar porque desapareceram 800 euros de um monte de notas que estava à sua guarda.

Mesmo assim, tirou o curso de inspetor e ganhou fama de "polícia aguerrido" nos vários departamentos por onde passou, incluindo o de combate ao terrorismo e à corrupção. Saiu por não se sentir apoiado pela hierarquia quando foi acusado no processo Joana.

Entretanto, escreveu três livros, fundou uma empresa de segurança e tornou-se comentador de assuntos policiais na televisão. 

A ligação ao Sporting, pelo menos de forma mais direta, inicia-se pouco depois, em 2009: candidato à presidência do clube, que representava "a rutura com a continuidade", teve uma campanha mobilizadora até às últimas duas semanas, altura em que perdeu gás com o 'caso Eriksson'. Perdeu para José Eduardo Bettencourt por esmagadora maioria: 89%-11%.

Mais tarde, em 2011, quando se falava de uma possível recandidatura, separou-se de grande parte dos colaboradores mais diretos dois anos antes e acabou por integrar o elenco liderado por Godinho Lopes.

No Sporting, Paulo Pereira Cristóvão tem o pelouro das infraestruturas e património, além de uma relação próxima com as claques do Sporting. 

Num congresso em Barcelona, com alguns dos maiores clubes europeus, explicou que "as coisas com as claques" também se podiam resolver "indo beber umas cervejitas com eles".