Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Pedofilia: 174 denúncias em quinze dias na Igreja austríaca

Só em duas semanas, 150 pessoas ligaram para a linha especial e reportaram 174 casos de abusos sexuais na Igreja Católica da Áustria.

A linha telefónica criada há duas semanas na Áustria para receber informações sobre episódios de violência sexual em Instituições religiosas do país recebeu 174 casos, anunciou hoje em Viena a associação Plataforma de Vítimas da Violência da Igreja.    Cerca de 150 pessoas ligaram para a linha especial e reportaram 174 casos, precisou Holger Eich, psicólogo da Plataforma, que falava numa conferência de imprensa, em que esteve também presente uma alegada vítima de abusos sexuais.    Segundo aquele responsável da organização, 43% dos casos reportados dizem respeito a violência física, 34% a agressões sexuais e 23% a violências morais.    A maioria dos factos reportados remontam aos anos 1960 e 1970, mas outros são mais recentes, acrescentou. 

Maioria das vítimas são homens 

As estatísticas da Plataforma indicam que 68% das vítimas são homens, bem como 74% dos autores das violências.    "Estas pessoas pretendem sobretudo ser escutadas, beneficiar de apoio psicológico, que lhes seja reconhecida a injustiça de que foram alvo, e que os autores sejam responsabilizados e eventualmente peçam perdão", mas a indemnização financeira não constitui uma motivação, precisou, por seu lado, Manfred Deiser, um dos fundadores da associação.    Na sequência da criação da Plataforma, em finais de março, o advogado vienense Werner Schostal levantou a possibilidade de ser apresentada uma queixa coletiva contra a hierarquia católica, pretensão que ainda continua a ser considerada, adiantou Deiser. 

Inquérito sobre casos

Desde o início de março que a Áustria conhece uma vaga de acusações de abusos sexuais e de maus tratos perpetrados a crianças em instituições católicas do país.    O cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, reconheceu quarta feira a "responsabilidade" da Igreja neste escândalo e nomeou uma representante das vítimas que deverá, segundo ele, levar a cabo um inquérito independente sobre as acusações surgidas a publico.    *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.