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Paula inaugura Casa das Histórias com dores nos pés

"Dói-me os pés!". Foi assim que Paula Rego respondeu à pergunta do Expresso: "Como se sente no dia da inauguração da sua Casa das Histórias?". A artista levou a Cascais centenas de convidados.

Alexandra Carita (www.expresso.pt)

O Presidente da República, Cavaco Silva, descerrou a lápide da Casa das Histórias - Paula Rego às onze da manhã. Mas o trânsito só parou, em Cascais, às seis da tarde. A inauguração do museu dedicado à artista portuguesa radicada em Londres levou àquela cidade quase duas mil pessoas.

A fila para entrar no edíficio desenhado por Souto Moura parecia não se mexer durante mais de uma hora. Ex-ministros, directores de institutos tutelados pelo Ministério da Cultura, artistas, galeristas, actores de telenovelas, figuras da TV, homens de letras, designers de moda e fadistas acotovelavam-se entre gente anónima vestida de gala para cumprimentarem António Capucho, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, e Dalila Rodrigues, directora do novo museu.

Só depois chegou a rainha da festa. Visivelmente cansada, Paula Rego foi sufocada por uma multidão de gente que mal lhe dava espaço para levantar a cabeça. "Como se sente neste dia?", perguntou-lhe o Expresso. "Dói-me os pés!", respondeu em jeito de desabafo sincero.

À sua volta repetia-se a palavra "espantoso" (ou "amazing", conforme a nacionalidade da pessoa que lhe falava). Só Júlio Pomar foi diferente. Ainda sem saber se conseguiria cumprimentar uma das suas colegas de eleição, já sabia o que lhe queria dizer: "Força menina!". Conseguiu. Foi no jardim, onde se concentravam muitos dos convivas. Um encontro feliz...

De resto, ver a exposição não foi possível a ninguém. O trânsito, tal como na rua, estava entupido. Circulava-se em todas as direcções. Os encontrões mais que muitos. "Isto hoje não dá para ver nada, é só para o convívio", comentava-se por todo o lado.

Assim foi. Comes e bebes e muito pouco mais. Até a loja de merchandising, apesar de a abarrotar de gente, pouco lucrou. As vendas cingiram-se aos postais e aos cadernos, as peças mais baratas. Os catálogos ficaram mais nas prateleiras.

Nada que não estivesse previsto. A equipa de relações públicas da Casa das Histórias, depois de ter enviado quatro mil convites duplos, estava ciente de que o resultado só podia ser uma confusão. A alegria ficou com Dalila Rodrigues: "Sinto-me muito recompensada por todo o trabalho realizado ao longo de um ano num diálogo muito frutuoso com paula rego. Mas tenho a consciência que isto é só o início de um processo. É a primeira etapa".

Melhor campanha para António Capucho é que seria impossível! Até Santana Lopes lhe foi dar uma mãozinha.