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Passos "realista": "Isto é uma verdadeira maratona"

O reformismo ajustou-se ao realismoPassos fechou o Congresso do PSD fiel à cartilha de sempre: cumprir, reformar e retirar o Estado da economia. Apenas reforçou o discurso social: "não há uns que possam mais e outros que possam menos".

Ângela Silva (www.expresso.pt)

Pedro Passos Coelho trocou o reformismo pelo realismo. No ano mais difícil da legislatura, o líder do PSD decidiu fechar o seu 1º Congresso como primeiro-ministro com um discurso sem anúncios ou novidades, em que assumiu "um projeto realista" e rejeitou pressas: "Não estamos a correr à pressa. Isto é uma corrida de fundo. Uma verdadeira maratona".

Recusando "demagogias com as questões sociais", Passos acusou, no entanto, o toque dos que o criticaram por descurar os graves problemas sociais dos portugueses nos primeiros dois dias do Congresso. E reforçou a tónica, com recados aos sectores mais fortes da economia, que claramente chamou à partilha dos sacrifícios.

"Não há uns que possam mais e outros que possam menos"', "queremos acabar com os sectores mais protegidos da economia"; "'todos têm que dar o seu contributo para a recuperação do país", foram frases repetidas durante a hora de discurso, claramente focado na necessidade de apagar a ideia de um Governo que chegou com promessas de combater os interesses e que, afinal, estará a ceder.

"Eu vou dizer outra vez: não há exceções nos cortes. Sejam trabalhadores ou administradores, da TAP ou da CGD, não terão 13º e 14º mês". Passos só não esclareceu se haverá, nestes dois casos, exceções no que toca a cortes nos salários. Reconhecendo que o desemprego "é a maior chaga e ultrapassou todas as previsões que fizemos", Pedro Passos voltou ao realismo: "não é Estado que cria emprego. Vamos falar verdade. O emprego só virá da retoma económica".

Envolver todos, partidos e parceiros sociais, na recuperação do país foi outra das tónicas. O líder do PSD pediu "convergências", avisou que "todos temos que saber ceder alguma coisa", deixou "uma palavra de reconhecimento aos portugueses" e ensaiou "uma palavra da esperança": "os sacrifícios não são em vão".

Ainda arriscou a frase seguramente menos popular do Congresso: "Nós gostamos de aprender com a Alemanha". Pedro Passos volta a não prometer facilidades.

A ouvi-lo na primeira fila esteve Pedro Santana Lopes, o ex-líder do partido a quem o primeiro-ministro agradeceu a "prova de humildade": "é sempre bonito ver que os ex-líderes não se desinteressaram". Dos ex-líderes mais recentes, estiveram na Sala Tejo, Marcelo, Santana, Menezes e Mendes. Manuela Ferreira Leite levou falta.