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Passos Coelho de férias no Algarve

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O primeiro-ministro voltou a rumar à Manta Rota para duas semanas de repouso com a família. O que faz? Onde vai? Como é recebido? O Expresso foi ver e conta-lhe.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

Passos Coelho chegou na quarta-feira ao Algarve, na carrinha particular, uma Renault Clio. Ao lado, o corpo de segurança tem um BMW série 3. Atrás, uma Mercedes Vito e mais tarde um jipe Nissan Pathfinder, com GNR à paisana. Ao todo, há pelo menos dez agentes dedicados ao primeiro-ministro.

O cidadão Passos Coelho parece pouco preocupado em manter a distância com os restantes cidadãos, por motivos de segurança. Habitué da Manta Rota, esforça-se por não alterar as rotinas, apesar da pressão mediática. Educadamente, rejeita pedidos de declarações ou entrevistas e segue o seu caminho com a família, como já fazia antes de ascender ao cargo.

Faturas? Não parecem preocupá-lo

"Sim, ele já costumava vir aqui antes. Há quatro anos que vem cá, diz a funcionária de um restaurante sobre a praia. Pedidos especiais? Nada a registar.

"É um cliente absolutamente normal, como qualquer outro, nem mais nem menos". Não pede fatura, mas o sistema, que é certificado, passa-lha na mesma.

Não procura os populares, mas fala com quem o contata e ouve o que o que dizem. Normalmente, são apenas cumprimentos de circunstância, porque as críticas, guardam-nas para os meios de comunicação social.

"Não acho que esteja a fazer um trabalho muito mau, mas não concordo com o aumento bruto dos impostos", diz Henrique Jorge, empresário, que aluga a casa do lado. "O IVA, o IRC, os pagamentos por conta, os cortes nas pensões e nos subsídios", começa a desfiar-se o rol de queixas do vizinho.

Outro morador, o das traseiras, está aqui há 40 anos. Tem uma horta e também lhe custa a criticar o vizinho, pelo menos de princípio. Mas depois, enquanto apanha uma laranja ou rega as abóboras, lá admite que não lhe soube bem deixar de receber os 250 euros e que passaram a 90, por causa da reforma francesa, de quando esteve emigrado. "Mas isso já foi o outro antes", corrige a mulher. "Isso seja o A ou o B, vai dar tudo ao mesmo", acrescenta.

José, ex-gestor hoteleiro, é mais contundente. "Se o visse, pedia-lhe para deixar de sacar. No outro dia, ele disse que o Governo dele ia ficar na História. E vai, mas por ter atirado o país para a ruína", critica.

Sempre à espreita

Passos Coelho abandona a casa e os fotógrafos e as televisões já estão engatilhados. Os seguranças avisam para não disparar, só com autorização do primeiro-ministro, mas Passos dá sinal e permite que os media façam alguma cobertura do passeio até à praia.

Às seis da tarde, a praia está confusa e os toldos não chegam para as encomendas. "São dez euros uma manhã, dez euros à tarde, se for o dia todo são 12,5", explica o rapaz do concessionário. As filas da frente estão cheias e há quem reserve por 15 dias, a uma média de 125 euros.  Mas Passos, não. Estende a toalha na areia, tal como os seguranças que, depois de um mergulho, ficam misturados com o povo e os paparazzi, na procura de mais uma foto do primeiro-ministro a banhos. 

À tardinha, às vezes, vai ao supermercado, onde também se esquece normalmente da fatura. Fica na fila durante 20 minutos, à espera dos outros fregueses. E José Alves, gerente do Algartalhos, diz que não podia ser mais normal. Com uma pequena exceção: cotonetes, só Johnson. O ano passado não havia. "E este ano, de certeza que esteve à procura nos corredores!". José apressa-se a correr aos armazéns para procurar as cotonetes, não vá o primeiro pedir-lhas.

Quem sabe se as cotonetes são para poder ouvir melhor os cumprimentos e as reclamações dos populares, durante as férias espartanas na Manta Rota.

Veja as fotos que Passos Coelho permitu tirar, no passeio até à praia:

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