Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Partido de Berlusconi recusa colaborar com Monti

"Tive um pesadelo: um novo Governo Monti", declarou Berlusconi, fechando a porta a qualquer tipo de colaboração com o presidente demissionário do Governo italiano.  

O partido do ex-primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi fechou hoje a porta a qualquer tipo de colaboração futura com o presidente demissionário do Governo italiano, Mario Monti, depois de este se ter mostrado disponível para continuar a governar o país.

"Às forças que manifestarem uma adesão convicta e credível à minha agenda, estou pronto para dar a minha opinião, o meu apoio, e, se me pedirem, dirigi-los. Estou pronto a assumir, um dia, se as circunstâncias o justificarem, as responsabilidades que me seriam atribuídas pelo parlamento", disse Monti, em conferência de imprensa.

Segundo Angelino Alfano, secretário do partido de Berlusconi, Povo da Liberdade (PBL), Monti fechou hoje a porta a "qualquer possibilidade de colaboração futura" e o próprio Berlusconi afastou a hipótese de qualquer entendimento, depois de ter dito hoje, em declarações à televisão pública italiana: "Tive um pesadelo: um novo Governo Monti".

Já o líder do Partido Democrata (PD) de Itália, Pierluigi Bersani, disse hoje que espera conhecer os pontos do programa de reforma anunciado por Monti, antes de tomar qualquer decisão em relação à proposta feita hoje em conferência de imprensa.

Em declarações prestadas à imprensa, Bersani insistiu que o PD "ouvirá com muita atenção as propostas de Monti" e recordou que a palavra será agora dada aos italianos, chamados às urnas a 24 e 25 de fevereiro próximos.

Monti descartou a hipótese de se candidatar, porque diz "não ter simpatia por partidos 'pessoais'".

Mario Monti não pode estar oficialmente nos boletins de voto nas eleições de fevereiro porque já é um senador vitalício, mas, segundo o sistema eleitoral da Itália, pode ser convidado a participar no governo, mesmo como primeiro-ministro, por quem quer que vença.

Monti consternado com contradições de Berlusconi  

Anteriormente, Monti tinha recusado a oferta de Silvio Berlusconi para encabeçar uma candidatura de centro-direita às eleições legislativas em Itália.

O governante demissionário exprimiu "consternação" face a declarações contraditórias de Berlusconi.

"Estou perplexo com o meu antecessor. Acho que é difícil de seguir a sua linha de pensamento", afirmou Monti durante uma conferência de imprensa referindo-se a Berlusconi, que já disse que será candidato às eleições gerais de fevereiro.

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro demissionário anunciou ainda que vai apresentar em breve "um programa para alterar a Itália e reformar a Europa", que qualificou como uma "agenda para um compromisso comum, primeira contribuição para uma discussão aberta."

Monti afirmou que a Itália conseguiu sair da crise da dívida da zona do euro sem ter que pedir ajuda.