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Pal Sarkozy : " O meu filho podia ser Presidente da Rússia"

Numa exposição de pintura em Paris, o pai de Nicolas Sarkozy apresenta a sua visão da mulher sexy bem como dos emigrantes, que surgem nos quadros com bonés e tatuagens da nacionalidade de acolhimento.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

Os emigrantes são vistos por Pal Sarkozy (82 anos, húngaro de nascimento) como zebras que substituem as riscas por tatuagens adequadas ao país de acolhimento e se adornam com um novo boné nacional para avançar na integração.



As mulheres são apresentadas com cores vivas, nuas ou com "lingerie" sexy.



O retrato que fez do filho e actual Presidente francês não faz parte da exposição inaugurada este fim-de-semana no espaço Pierre Cardin, em Paris. Mas, para compensar o desgosto dos que queriam ver o quadro, é apresentada uma tela politicamente correcta de Carla Bruni-Sarkozy, na qual a primeira-dama, ex-modelo e cantora franco-italiana, surge a tocar guitarra sentada em cima de um piano.



À concorrida e mundana "vernissage" compareceram a jet-7 parisiense e dezenas de jornalistas. Estes esperavam ver o casal presidencial francês aparecer na galeria, mas desiludiram-se rapidamente. "O meu filho e a minha nora mandaram-me um ramo de flores e uma carta a dizer que viriam num outro dia para evitar os jornalistas", informa Pal Sarkozy.



A exposição perdeu por esse motivo grande parte do interesse dos media. A pintura em si, com misturas de desenhos, pedaços de fotografias e imagens numéricas do publicitário franco-alemão, Werner Hormung, é considerada 'menor' pelos críticos de arte e é sobretudo elogiada pelos políticos de direita. Os de esquerda, que ignoraram o convite para a inauguração, dizem que é "nula".



Pal Sarkozy não se arrelia com as criticas. "Há muito poucos pintores que foram apreciados quando eram vivos", diz com ar convencido do valor da sua arte para a História da pintura. Os preços dos quadros expostos variam entre os 8 mil e os 16 mil euros.



O tema da emigração interessa-lhe porque se trata da "sua história". "Sabe, diz a um jornalista russo, os russos ocuparam a Hungria e alguns de nós, os húngaros e, no caso, o meu filho, poderia ter sido Presidente da Rússia".



Para Pal Sarkozy de Nagy Bocsa, seu nome de nascimento, flagrante hedonista diletante que cultiva com extravagancia a sua imagem de sedutor, tudo é possível quando se decide trocar de boné.



"O portugueses que não percam a esperança, porque um dia talvez um chegue a Presidente da França ou da América", diz, sorrindo, para este repórter. Será que ele tem conhecimento que muitos emigrantes portugueses já há muito que usam dois bonés e, até dois nomes (Antoine/António, Armand/Armando...), um para os portugueses e outro para os franceses?

 

Pal Sarkozy que, diz-se, tem sangue azul, sabe do que fala. Mostra-se muito orgulhoso por ser o patriarca do que apelida "a dinastia Sarkozy": "Espero que os Sarkozy constituam uma dinastia em França, é preciso três gerações, pelo menos, para fazer uma dinastia e creio que os meus netos estão bem lançados para isso", disse há pouco tempo a uma televisão. Ele, de momento, aproveita sobretudo o nome para vender quadros.