Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Pacheco Pereira queixa-se de excesso de vigilância do Estado

"O Estado sabe coisas sobre mim que não devia saber", afirmou Pacheco Pereira, falando dos problemas do controlo político na era da comunicação digital.

Ricardo Jorge Pinto

José Pacheco Pereira considera que as novas tecnologias de informação colocam nas mãos do Estado poderes que podem ser perigosos para os cidadãos. Numa conferência sobre a "Governação na Era Digital", ontem, quarta-feira, em Amarante, o ex-deputado afirmou-se preocupado com o poder que os políticos podem exercer no controlo da vida dos cidadãos.

"O fisco sabe quase tudo sobre nós. E até há quem fale em controlar as entradas e saídas das auto-estradas, para determinar se cumprimos os limites de velocidade. Eu não quero que saibam onde é que entrei e saí da auto-estrada! Se querem controlar a velocidade a que nós conduzimos que ponham mais polícias nas estradas", explica Pacheco Pereira, para ilustrar a necessidade de contrariar a tendência para o Estado vigiar todos os nossos passos e decisões. Outro exemplo que mencionou foi o da colocação de câmaras de vigilância, como vai suceder agora na zona da Ribeira, no Porto.

Por outro lado, Pacheco Pereira não se mostrou surpreendido com o facto de, na Assembleia da República, apenas nove deputados terem páginas online, para contacto com os eleitores: "Com a classe política que temos, o que é que se espera...".

Pacheco Pereira mencionou ainda a importância de as gerações mais jovens adquirirem novas competências de literacia. "Eu defendo que se deve ensinar cinco coisas fundamentais às crianças: a ler, escrever, contar, ver televisão e navegar na Internet", diz o comentador televisivo e colunista de Imprensa.

Pacheco Pereira falava durante uma conferência organizada pelo Tâmegadigital, um projecto liderado por autarquias do Vale do Tâmega, que procurou desmontar alguns dos aspectos relevantes da interferência das novas tecnologias da informação e comunicação nos processos políticos e governativos.