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O Courrier Internacional de Outubro

A crise da imprensa impede os jornais e outros órgãos de comunicação de desempenharem o seu papel de vigilância cidadã. E os novos media, surgidos na Internet, não dão garantias de preencher esse vazio.

Que a imprensa está em crise todos sabemos, mas é importante reflectir sobre as consequências que isso pode ter para o mundo em que vivemos. Uma questão premente é: poderá a democracia sobreviver sem jornais?

É este o tema principal do Courrier Internacional de Outubro. Obrigados a cortar custos, muitos órgãos de comunicação reduzem o número de colaboradores, encerram delegações e eliminam postos de correspondente. O que afecta, inevitavelmente, o papel de vigilância dos poderes que se espera que a imprensa cumpra. Constata-se, por outro lado, que os novos media não chegam para preencher o vazio criado. Nesta edição, leia uma longa reflexão do sociólogo Paul Starr sobre este assunto, temperada pelo optimismo do académico Yochai Benkler, que acredita que os próprios cibernautas irão ser os "cães de guarda" do futuro.

Vigilância, mas noutro campo, é o que faz Elisa Drago. A protagonista da secção "Retrato" deste mês é portuguesa, mas vive em França há muitos anos. Jornalista experiente na Radio France Internationale, tem liderado a luta dos funcionários daquela empresa pelos seus direitos.

No Courrier, prestamos atenção a Portugal e ao que se diz do nosso país lá fora. Desta vez, propomos-lhe uma visita às caves do vinho do Porto, pela mão do jornal "El País". "Le Monde" analisa a guerra do Governo socialista com os professores, alertando que esta pode custar a vitória eleitoral a José Sócrates (umas páginas à frente, fique a saber que na Alemanha há dilemas semelhantes...). E, a encerrar o capítulo nacional, um artigo da revista californiana "Surfer", considerada uma referência na modalidade, elogia a praia de Supertubos, em Peniche, que irá acolher um grande campeonato internacional, de 19 a 30 de Outubro.

À volta do mundo, descobrimos que a polícia brasileira conseguiu pacificar a favela do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. A revista "Época" explica esse projecto bem sucedido. Outro local onde ainda se fala algum português (pouco) é Melinde, hoje no Quénia. Nesta terra cheia de vestígios da passagem de Vasco da Gama, os pescadores são forçados a viver com menos de dois euros por dia...

Êxitos como "Slumdog Millionnaire" e os filmes de Bollywood retratam a Índia com tons de felicidade, mas é bom lembrar que o país não se resume a essas imagens alegres. É o que faz o jornalista Tarun Tejpal, cujo jornal, o "Tehelka", denuncia o que vai mal na segunda nação mais populosa do mundo. Leia uma entrevista com Tejpal nesta edição do Courrier Internacional.

Para os lados da América, a escritora Joyce Carol Oates escreve - a propósito da morte do senador Ted Kennedy - sobre as fronteiras entre vida pública e vida privada. Mais a norte, no Canadá, os índios estão furiosos com o Governo e rejeitaram a mais recente proposta de lei sobre os seus direitos ancestrais. A fechar a secção "Compreender", conheça o triste destino dos bairros históricos de Beirute (a demolição) e as proezas da mulher do novo primeiro-ministro japonês: Miyuki Hatoyama garante já ter ido a Vénus!

Propomos, em seguida, uma pausa na leitura, para olhar com atenção para as imagens que João Carlos Santos nos traz de Marrocos. De Fez a Essaouira, do deserto a Chefchaouen, conheça os contrastes deste país vizinho, tantas vezes esquecido.

Passando à economia, o "Financial Times" dá conta dos problemas por que passam as grandes farmacêuticas. A crise força-as a encontrar parcerias para reduzir o custo de fabrico dos medicamentos. Na Venezuela, a recessão global faz ressurgir a autogestão como modelo de administração das fábricas. Hugo Chávez aplaude. Na rubrica "Ossos do ofício", saiba porque é que muitos trabalhadores não querem que os patrões saibam quando estão doentes.

O mundo está habituado a ver a tecnologia ser usada para fins perversos: hackers russos e ucranianos criaram um esquema para defraudar caixas de Multibanco. Ainda na ciência, mas olhando mais para o passado, a revista "Salon" leva-nos a Cahokia, no Estado americano de Illinois, onde raparigas virgens eram sacrificadas no sopé de enormes pirâmides. Na ecologia, saiba porque é que tanta gente é contra a construção da terceira ponte sobre o Estreito do Bósforo, em Istambul.

Descontraia, depois, com um pouco de música angolana. Tony Amado é o pai do kuduro, estilo já famoso que combina os ritmos de África com a dance music dos anos 1990. Sugestão de leitura: o último romance do romeno Mircea Cartarescu, que revisita a queda da ditadura de Nicolai Ceausescu, em 1989.

Duas reportagens de fundo levam-nos a lados opostos do mundo. O diário italiano "La Repubblica" percorreu as zonas mais violentas da Ucrânia, tão perto e tão longe da civilização europeia. Mas se estas ainda têm esperança de aproximação aos níveis de vida do Ocidente industrializado, o mesmo não se passa com o Haiti, o país mais pobre da América Latina, onde, segundo o escritor Sergio Ramírez, o povo já se habituou a ser infeliz.

Doce é a proposta culinária deste mês: a revista indiana "Uppercrust", perita nos prazeres da boca, ensina a converter o bíblico sabor do mel numa salada ou numa bebida, conforme o gosto. Nada como este aroma para rumar ao Belize, um país quase desconhecido, com praias e ilhas paradisíacas e um sossego que já escasseia no mundo.

Como a viagem é longa, leve os insólitos do Courrier para se divertir e partilhe as ideias de Alaa Al-Aswany, escritor e oposicionista egípcio, que acusa o Ocidente de ter dois pesos e duas medidas no que toca ao Islão. Práticas apelidadas de retrógradas quando as vemos nos muçulmanos são toleradas, entre cristãos americanos, como se nada fosse.

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