Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

"Nunca tive nada com o negócio TVI"

Armando Vara garante que "são tudo especulações" as notícias que o aproximam da compra da TVI pela PT. Iliba ainda José Sócrates, afirmando estar convicto que o primeiro-ministro "não sabia" do negócio, senão informalmente.

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

A tentativa de compra da TVI pela Portugal Telecom "não ocupava nada das minhas preocupações". "Há mais vida para além deste negócio", disse Armando Vara, o ex-administrador do BCP e apanhado nas escutas da "Face Oculta" na comissao parlamentar de inquérito.

O tom das declarações segue na linha do depoimento já prestado na comissão de ética, onde Armando Vara se distanciou de qualquer intervenção no processo. "Não tenho, nem nunca tive, nada a ver com o negócio. São tudo especulações", disse no arranque do seu depoimento. Quanto aos relatos de conversas com Rui Pedro Soares e Paulo Penedos - publicadas pelo "Sol" e que revelam um plano concertado para controlo da TVI - Armando Vara afirma não se "rever nelas" porque "não reflectem rigorosamente nada do que se passou comigo".

Admitindo ter "informalmente" falado com Rui Pedro Soares, o administrador da PT e do Taguspark, sobre a eventual compra da estação de Queluz, Vara fez, porém questão de sublinhar que "não tinha informação especial ou confidencial sobre o que se estava a passar", tal como, "não tinha nenhum tipo de incumbência para transmitir nenhuma informação a ninguém".

Foi, porém, de Rui Pedro Soares que Armando Vara recebeu uma informação privilegiada sobre um outro negócio: a possibilidade de entrada no capital social da TVI da sociedade Taguspark. "Em princípios de 2009", diz, "fui abordado informalmente para a possibilidade do Tagus Park poder vir a ser uma solução com vista à compra da TVI". Uma "conversa exploratória", considera Armando Vara que respondeu a Rui Pedro Soares dando a sua opinião "negativa. Pela minha parte, achava mal".

Outro ponto importante do depoimento de Armando Vara, diz respeito às referência ao primeiro-ministro, ilibando José Sócrates de qualquer interferência ou conhecimento do negócio. "Por estranho que pareça, não falei com José Sócrates sobre este assuno (negócio TVI)", disse, acrescentando ser sua "convicção que o primeiro-ministro não tinha conhecimento formal" do que se estava a passar. "Seria praticamente impossível que não tivesse informações informais", dadas as noticias diárias que enchiam os jornais.