Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Novo Museu dos Coches não desaloja arqueologia

José António Pinto Ribeiro já encontrou solução para albergar a Biblioteca do antigo Instituto Português de Arqueologia e tem outro espaço para acolher o núcleo da arqueologia subaquática, actualmente localizados nos terrenos a ocupar pelo novo Museu dos Coches, hoje apresentado ao país.

A vigília organizada pelos arqueólogos do extinto Instituto Português de Arqueologia (IPA) a decorrer em frente ao Museu dos Coches durante a apresentação pública do novo projecto arquitectónico para aquele espaço não tem razão de ser. Esta é a opinião do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.

O Ministério que tutela já tem solução para salvaguardar os bens arqueológicos ali situados e garante que não há perigo de que se percam ou "fiquem desalojados", como os arqueólogos alegam numa petição online.

A Cordoaria Nacional, edifício pertencente ao Ministério da Defesa, será a nova morada da Biblioteca do IPA, considerada um dos mais importantes fundos documentais da especialidade e cedida a Portugal pelo Instituto de Arqueologia Alemão, acautelando-se assim o risco do acervo voltar ao país de origem como previa o protocolo assinado entre o Governo Português e o Alemão, caso o nosso país não a preservasse nas devidas condições. As negociações estão bem encaminhadas, mas, mesmo assim, Pinto Ribeiro abre uma segunda hipótese para resguardar o espólio, o Quartel do Conde de Lipe, na Calçada da Ajuda. Já o núcleo de arqueologia subaquática será devidamente preservado no Museu da Marinha.

As soluções encontradas por Pinto Ribeiro para permitir que as obras do novo Museu dos Coches poderão ter início a 1 de Setembro, não retiram ao ministro da Cultura o direito à crítica à actuação do Ministério da Economia, responsável pela construção do novo espaço museológico. "Se fosse ministro da Cultura na altura em que todo o processo do projecto foi decidido, não gostaria nada de não ter participado. O Museu dos Coches não deixa de ser tutelado pelo MC apesar do novo edifício ser construído com verbas geridas pela Economia, uma vez que provêm, como estava estipulado, das contrapartidas anuais do Casino de Lisboa". Pinto Ribeiro refere-se ao facto do MC não ter sido consultado nem em relação à escolha do arquitecto, o brasileiro Paulo Mendes da Rocha, nem ao desenvolvimento do processo de intervenção.

"Desejo ao ministro Manuel Pinho as maiores felicidades e que o novo espaço seja um sucesso", continua Pinto Ribeiro, guardando para nota final o desvendar dos planos que tem para o novo museu, nomeadamente a abertura de uma loja de merchandising de grandes dimensões, à imagem daquela que, em Londres, serve de suporte à Tate Modern, e que possa gerar um conjunto de receitas muito significativo.