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Novas caricaturas de Maomé põem França em alerta

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O "publisher" do "Charlie Hebdo", conhecido como Charb, exibe uma cópia de edição de hoje do semanário satírico, cujas caricaturas estão a provocar grossa polémica em França

Getty Images

Organizações muçulmanas alertam para aumento da tensão em França depois de um jornal ter publicado uma caricatura de Maomé, representando-o nu e a exibir o traseiro.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

"Gasolina para a fogueira". Foi assim que um imã qualificou a publicação, hoje, pelo semanário satírico "Charlie Hebdo", de novas caricaturas do Profeta Maomé. "No atual contexto é uma provocação e receio incidentes graves, porque há grande tensão nos subúrbios franceses", acrescentou um dirigente de uma associação moderada muçulmana.

Uma das caricaturas mais polémicas representa o profeta nu a exibir as nádegas e a dizer: "E do meu cu, gostas dele, do meu cu?". O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, já manifestou preocupação e apela ao sentido de responsabilidade. Pelo seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, denunciou, durante uma visita ao Cairo, no Egito, "uma provocação" do semanário.

Mas, apesar de também condenar a publicação das caricaturas, Jean-Marc Ayrault defende a liberdade de imprensa. E Laurent Fabius disse estar inquieto com "a segurança dos franceses em certos países".

Manifestação islâmica proibida

A tensão aumentou em França depois de ter sido organizada uma manifestação não autorizada, no sábado passado, de alegados fundamentalistas islâmicos, junto à embaixada norte-americana, perto da praça da Concórdia, em Paris. Os jovens - cerca de 250, dos quais 150 foram detidos - protestavam contra o filme islamofóbico americano "Innocence of  Muslins".

Jean-Marc Ayrault confirmou entretanto que foi proibida uma nova manifestação para sábado, igualmente em Paris.

Nos últimos dias, há notícias de movimentações nos meios islâmicos mais radicais dos subúrbios franceses, onde foram incendiados, nas duas últimas noites, mais carros do que habitualmente. 

A sede do semanário satírico foi incendiada em novembro do ano passado, depois de o jornal ter publicado uma edição denunciando a Charia. "Só vê uma provocação quem quer, não podemos ceder às pressões, porque se cedermos abrimos a porta a todo o tipo de pressões, o limite da liberdade de imprensa é a lei que o define e não são as religiões que o impõem", explicou a direção do "Charlie Hebdo".

Entretanto, a meio da manhã de hoje, as autoridades francesas mandaram reforçar a segurança nas embaixadas francesas em todo o mundo.