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Nota da direção

Nota da direção do jornal, a ser publicada na edição de impressa de sábado, a propósito do caso Artur Baptista da Silva.

O Expresso deve esta semana um inequívoco pedido de desculpas aos seus leitores. Nas edições de 15 e 22 de Dezembro e no Expresso da Meia-Noite emitido na SIC Notícias dia 21, demos, por nossa única responsabilidade, grande protagonismo e relevância a um burlão e às suas ideias.

Os factos são graves porque quer a identidade quer uma parte das suas propostas não resistem aos mecanismos básicos do exercício jornalístico, plasmados de forma clara no nosso Código de Conduta e no Estatuto Editorial a que o Expresso obedece.

O facto de Artur Baptista da Silva ser - como agora é do conhecimento geral - um burlão com um longo rol de entidades enganadas explica uma parte dos nossos erros mas não os justifica. E não apaga a entrevista, a presença televisiva e o artigo de opinião que, sucessivamente, o Expresso dedicou ao assunto. Como também não apaga a sucessão de equívocos e mal-entendidos que nos levaram a subestimar alguns indícios dispersos que foram surgindo entretanto. Agimos mal e reagimos tarde.

Não estamos sós no rol de burlados, nem isolados na lista de órgãos de comunicação social que entrevistaram ou citaram Artur Batista da Silva. Não fomos os primeiros nem infelizmente os últimos. Mas, uma vez mais, isso não nos serve de atenuante. Independentemente da boa-fé dos jornalistas envolvidos, não foram acionados os indispensáveis mecanismos profissionais e foram cometidos erros sucessivos em toda a cadeia hierárquica. O respeito pelos nossos leitores e pelos 40 anos que o Expresso assinala no próximo de fim-de-semana obriga-nos a este pedido de desculpas, à análise séria do que se passou e a tomar medidas futuras.

O Código de Conduta dos jornalistas do Expresso determina no seu ponto 6 que "todos os erros, de facto ou omissão, devem ser pronta e explicitamente reconhecidos e corrigidos, com a devida relevância. Quando se justifique, deve ser apresentado um pedido de desculpas público". Foi isso que Nicolau Santos fez de imediato no site do Expresso e é isso que fazemos aqui depois de reunido o Conselho de Redacção.

No Comunicado divulgado publicamente no diz 27, o Conselho de Redacção conclui que "a sequência dos erros cometidos e a sua dimensão e repercussão públicas levam a considerar que se impõem medidas de caracter editorial capazes de evitar, de futuro, a ocorrência de situações similares." Nesse sentido, "recomenda o reforço urgente dos mecanismos de verificação de credibilidade das fontes e do material publicado ou a publicar". É isso que iremos fazer.

Analisados todos os factos e as circunstâncias, o Expresso mantém de forma inequívoca a confiança em Nicolau Santos, Jorge Nascimento Rodrigues e Anabela Campos, jornalistas com larga experiência e provas dadas.

Quando se pede desculpas não se deve aproveitar para responder a quem nos criticou, até porque muitas dessas críticas foram e são justificáveis. Mas há um ponto que o Expresso se vê obrigado a refutar e que tem a ver com as leituras políticas que, inevitavelmente e de forma primária, surgiram. Em momento algum o Expresso deu mais importância a algum tipo de opinião sobre a situação económica do país, em qualquer dos seus cadernos ou no Expresso da Meia-Noite.

Na mesma edição em que infelizmente demos voz a Artur Batista da Silva publicámos uma entrevista exclusiva com Carlos Moedas, o secretário de Estado responsável pela execução do memorando de entendimento. Naturalmente, só as declarações de Carlos Moedas é que tiveram chamada à primeira página do jornal.

O Expresso sempre teve por tradição ter colunistas com opiniões diversas, incluindo na direcção do jornal. Essa sempre foi uma marca do jornal de que nos orgulhamos. Não confundimos opinião com opinião única e muito menos opinião com o exercício jornalístico.

Não conseguimos evitar todos os erros e enganos mas sentimo-nos obrigados a corrigi-los. É o que aqui fazemos e deixamos escrito.