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Nomes internacionais não faltaram para o encerramento do LeV

No último dia da 5ª edição do Lev - Literatura em Viagem aconteceu o que ainda não se tinha passado este ano: todos os convidados internacionais marcaram presença. No encerramento, o escritor Mempo Giardinelli deixou uma garantia: "A literatura é melhor que a realidade"

Mariana Pinto (www.expresso.pt)

Nos livros de Mempo Giardinelli "a realidade não faz nada". E é por isso que o escritor e jornalista vê os seus livros como "uma luta contra a realidade": "Escrever contra a realidade não quer dizer que a realidade não exista na literatura. Mas, para mim, a literatura é melhor que a realidade", explicou.

Na mesma mesa do argentino - "Toda a realidade é um desejo de viagem" -, que fechou a 5ª edição do LeV, estiveram os escritores Elmér Mendoza, do México, e valter hugo mãe, acompanhados pelo ex- Secretário de Estado da Cultura (1979), Hélder Macedo.

O também escritor Hélder Macedo, revelou que agora escreve "ficções, que são uma tentativa de viagem através dos outros", quando dantes se centrava em poesia, mais ligada às percepções que tinha do mundo ("seguia um hipotético centro de mim ou do universo", explicou). A melhor forma de viajar, acredita, é "inventar situações em que se viaja por outros". "Se isto é um desejo de viajar ou de ficar não sei, decidam vocês", completou.

O português Valter Hugo Mãe (que lançou há pouco tempo o livro "A máquina de fazer espanhóis") disse: "Viajar é coisa de crescer" e, mais do que isso, "estar vivo é viajar", disse na leitura de um texto que entusiasmou a plateia.

Definindo o "assunto dos viajantes" como algo "genético", o escritor Elmér Mendoza deixou um longo texto e uma mensagem: "Gosto muito de viajar, seja a lugares habitados ou não".

A viagem além do espaço físico

O mote para a segunda mesa - "A alegria do homem está em viajar" - não podia ser mais indicado para o escritor e jornalista Joaquim Magalhães de Castro: "Encaixa-me na perfeição. Se pudesse era o que fazia o tempo inteiro: viajar", disse o também fotografo e investigador de História, ao lado de Maria Isabel Barreno, Cristina Carvalho e do argentino Lazaro Covadlo, que compuseram o primeiro painel do último dia do LeV.

Uma pequena correcção por parte de Isabel Barreno: "Viajar é também a alegria da mulher", avisou a escritora, que foi uma das porta-vozes do movimento de emancipação feminina em Portugal nas décadas de 60 e 70. Cada livro da escritora (o último, que lançou no Lev, é o "Corredores Secretos") "é uma viagem, interior e exterior", disse.

E foi nas viagens interiores e nas imaginárias que o painel mais se centrou. "A viagem não é só no espaço físico", avisou Lazaro Covadlo, e acrescentou: "Numa viagem, não se conhecem só outras pessoas e outros lugares, mas também a nós mesmos".

"A viagem que gosto mais de fazer é a que se faz no sofá. As viagens mais alegres são as da imaginação", afirmou a escritora Cristina Carvalho, que vai lançar o livro "Rumo ao Sol", no próximo ano. Se viajar é sempre uma alegria? "Pode ser uma alegria, mas também pode ser uma tristeza ou um sacrifício", acredita a filha de António Gedeão, que começou por avisar que "antes de conhecer os outros países já conhecia Portugal".

A 5.ª edição do Lev, considerado por muitos como o segundo encontro literário mais importante do país, a seguir à Correntes D' Escritas, ficou marcada pelas ausências internacionais - Robert Fisk, Tim Butcher, Mimmo Cándito, entre outros -, que, impedidos pela nuvem vulcânica que tem afectado a Europa na última semana, não chegaram a Matosinhos, mas foi a mais visitada de sempre.