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Nobel da Paz critica "atitude colonialista" no caso Assange

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Pérez Esquivel afirma que "o temor pela vida" por parte fundador do WikiLeaks, que não quer ser extraditado para os EUA, "é justificado".

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

O argentino Adolfo Pérez Esquivel considera "muito preocupante" a "reação de conotação colonialista" por parte de Londres de não aceitar a decisão do Equador relativamente à concessão de asilo político a Julien Assange e de não conceder o salvo-conduto para que o fundador do WikiLeaks -  que ontem completou dois meses refugiado na embaixada equatoriana em Londres - possa viajar para Quito, capital equatoriana.

Na opinião do prémio Nobel da Paz de 1980, que hoje decidiu falar sobre o caso através de comunicado, Julian Assange é "perseguido politicamente por haver difundido informação muito grave que pôs em evidência ações criminosas dos EUA nas guerras do Afeganistão e do Iraque", assim como "as nada surpreendentes ações  (norte-americanas) de intromissão, através das suas embaixadas, em assuntos internos de outros países".

Assange poderia ser condenado à morte nos EUA

O defensor dos Direitos Humanos defendeu hoje que "o temor pela vida, por parte de Julian Assange, é justificado, pois nos EUA já se comenta que poderia eventualmente ser julgado no âmbito da Lei de Espionagem, a qual prevê a pena de morte".

Pérez Esquivel, que se encontra na Argentina, assegura que está a seguir "com preocupação" o caso de Assange, especialmente depois da ameaça, por parte do Reino Unido, de ingressar na embaixada equatoriana em Londres, onde o sueco está refugiado".

Recorde-se que na passada quarta-feira Londres enviou um comunicado a Quito advertindo para a existência de uma lei nacional britânica que dá ao Governo a possibilidade de retirar a proteção diplomática das embaixadas. Apelando ao diálogo como fórmula ideal para buscar uma solução para a crise, Pérez Esquivel recorda que "estas ações completamente fora do Direito Internacional são inadmissíveis".

Imprensa britânica critica "estratégia" de Assange

Entretanto, enquanto jornais diários britânicos como "The Guardian" e "The Independent" (que dedica um editorial ao caso) criticam nas edições de hoje o ativista Julian Assange, por entenderem que está a adotar uma estratégia para desviar a opinião pública da acusação de delitos sexuais de que é alvo, a imprensa equatoriana, por sua vez, critica o Presidente do Equador por defender no estrangeiro o que alegadamente combate no seu país. Ou seja, a liberdade de expressão.

O diário equatoriano "El Universo", que este ano foi condenado por criticar o Presidente Rafael Corrêa, publica um artigo de opinião assinado por Simón Pachano, afirmando que o objetivo do chefe da nação é "posicionar o Governo equatoriano como o portaestandarte da liberdade de expressão".

Já o jornal "El Comercio" publica um editorial sobre o ex-hacker australiano, recordando que a acusação na Suécia contra Julian Assange pouco tem a ver com a liberdade de imprensa. A nota também critica o Governo equatoriano por ter uma atitude contraditória dentro e fora do país, do tipo "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

O editorial do "El Comercio" confronta a opinião pública com "os reiterados ataques verbais do regime (equatoriano) aos meios de comunicação independentes" e, ainda, com "a recusa (por parte do Governo do Equador) em conceder salvo-conduto ao direitor do "El Universo", quando este estava refugiado na embaixada do Panamá. Este novo motivo de notoriedade equatoriana pode terminar por desvendar a verdade sobre um Governo intolerante que pretende lavar a sua imagem aproveitando-se de Assange", conclui o editorial.