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Navios de guerra afundados em Portimão

Corveta 'Oliveira e Carmo' e navio-patrulha 'Zambeze' foram os primeiros de quatro antigos barcos da Marinha portuguesa a ser afundados propositadamente, com o objetivo de criar um polo de turismo subaquático.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

Exato momento em que deflagaram os explosivos que ajudaram a afundar o antiga corveta da Martinha portuguesa

Exato momento em que deflagaram os explosivos que ajudaram a afundar o antiga corveta da Martinha portuguesa

Joana Van Hellemond/Lusa

A corveta Oliveira e Carmo , construída em 1975, foi hoje ao fundo em Portimão. É o primeiro de quatro navios

A corveta Oliveira e Carmo , construída em 1975, foi hoje ao fundo em Portimão. É o primeiro de quatro navios

Mário Lino

Dois minutos e 21 segundos foi o tempo que a corveta 'Oliveira e Carmo' demorou a chegar ao fundo do oceano Atlântico, depois de ter sido propositadamente afundada a cerca de três milhas a sudoeste de Portimão.

O episódio ocorreu esta manhã, às 11h38, e na sequência de uma explosão controlada a antiga corveta jaz agora a cerca de 30 metros de profundidade. Durante a tarde, o navio-patrulha 'Zambeze' teve idêntico destino. A ação foi executada por uma empresa canadiana, especializada nestes procedimentos.

"Os navios ficaram na posição que estava programada, ou seja, direitos e a cerca de 30 metros de profundidade", sublinha Luís Sá Couto, promotor do projeto Ocean Revival. Os dois navios, que durante cerca de 40 anos serviram a Marinha portuguesa, ficaram hoje "sepultados" no mar a três milhas a sudoeste de Portimão (uma milha náutica equivale a 1852 metros) e a cerca de 1,5 milhas da praia de Alvor, em Portimão, no parque subaquático, cujo investimento está estimado em cerca de três milhões de euros.

Antes de serem afundados, os navios foram limpos dos resíduos como óleos e amiantos, de forma a garantir que a operação não tem implicações ambientais negativas. Os trabalhos de descontaminação dos quatro navios custaram cerca de 2,4 milhões de euros, verba que foi angariada pela empresa junto de grupos privados.

Para o Comandante de Marinha Gomes de Sousa, um dos últimos a prestar serviço a bordo da corveta 'Oliveira e Carmo', o evento motivou sentimentos contraditórios. "Tive alguma pena, mas a alternativa seria o desmantelamento e a reciclagem. Assim, desta forma, o navio fica preservado", adiantou ao Expresso.

O afundamento da corveta 'Oliveira e Carmo' foi o primeiro de outros três que serão executados proximamente. Durante a tarde, na mesma zona, foi a vez do 'Zambeze' ir ao fundo.

Estas ações inserem-se no projeto Ocean Revival, que pretende dinamizar o turismo subaquático ao largo da costa algarvia, uma vez que os barcos servirão agora de recife natural de algumas das espécies marinhas existentes no Atlântico. 

O projeto Ocean Revival tem o apoio da Câmara Municipal de Portimão e da Marinha Portuguesa e é liderado pela empresa Subnauta, do empresário Luís Sá Couto. Este responsável prevê que os outros dois navios "cheguem a Portimão ainda este ano, para que se inicie a preparação para o afundamento, previsto para março de 2013".

Veja os vídeos dos dois afundamentos: