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"Não recebi qualquer orientação do Governo", diz Paulo Penedos

Paulo Penedos veio à comissão de inquérito invocando o dever de respeitar vários segredos: de justiça, profissional e de empresa. Os deputados admitiram mesmo fechar a sessão para que a audição fosse produtiva.

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

"Ameaçado" com a participação à justiça por "crime de desobediência", Penedo respondeu, mas sempre com falta de memória. "Não me lembro" é uma das frases mais batidas.



Arquido no processo "Face Oculta" e apanhado em várias conversas telefónicas sobre o negócio da TVI, Paulo Penedos veio à comissão com "total disponibilidade para colaborar", mas com um elenco tão grande de limitações que os deputados levantaram dúvidas sobre o interesse em continuar a sessão. A hipótese de uma "audição branca" - sem qualquer avanço na matéria - pairou na primeira meia hora de sessão, dedicada a trocar galardetes entre os deputados sobre os reais poderes de uma comissão de inquérito.



Paulo Penedos considerou mesmo que se criou "um incidente sobre nada" e começou a responder nunca invocando as limitações dos seus deveres de segredo profissional, de negócio ou de advogado. Porém, a falta de memória sobre todos os pormenores do negócio PT/TVI - de que, assumiu, tomou conhecimento "em Maio de 2009"- acabariam por reduzir o contributo das suas declarações.



"Saí em Outubro da PT e não trouxe qualquer documento", disse aos deputados, recusando comprometer-se com quaisquer datas ou detalhes do negócio por não querer "ser apanhado em contradições" ou que alguma imprecisão no seu depoimento se "poder voltar contra mim".

No entanto, Penedos soube do negócio em Maio, altura em que o administrador Rui Pedro Soares lhe entregou documentos para apreciação, mais concretamente "um estatuto de uma sociedade e um contrato de prestação de serviços" que, mais adiante se percebia ser o de José Eduardo Moniz.

"Participei no apoio ao processo de decisão do negócio" logo no seu começo, assumiu perante a comissão de inquérito. Acompanhou o processo, mas, porém, mais uma vez a memória lhe falha sobre quando se apercebeu de que a hipótese de compra da TVI tinha falhado. "Não posso precisar uma data, talvez entre 26 e 27 de Junho", data, aliás posterior ao momento em que o Governo assumiu não querer o negócio.



Mais viva está a memória de Paulo Penedos no que toca às alegadas interferências do Governo. "Nunca tive orientação nenhuma do Governo", disse. "Nunca, em circunstância alguma, o primeiro-ministro ou qualquer outro membro do Governo me pediu, solicitou, sugeriu ou discutiu comigo" a possibilidade de aquisição de uma parcela da TVI pela PT. E se José Sócrates mentiu ao Parlamento quando negou saber da existência de um negócio? A mesma certeza marca o depoimento de Paulo Penedos. "Como cidadão, não me passa pela cabeça que o primeiro-ministro falte à verdade no Parlamento".