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"Não há condições para discutir opiniões diferentes das da direcção".

O antigo presidente da Câmara de Alvito foi vaiado no congresso de Novembro de 2004 por defender o voto secreto para evitar o "definhamento" partidário.

Lopes Guerreiro não vai ao XVIII Congresso do PCP, por considerar "não existirem quaisquer condições para discutir opiniões diferentes das da direcção".

O ex-autarca, que há quatro anos foi apupado no congresso de Almada, defende que quer "ver o que acontece" com a estratégia da liderança de Jerónimo de Sousa e se é o PCP ou o Bloco de Esquerda a "tirar partido" do descontentamento "à esquerda" com o Governo do PS.

O antigo presidente da Câmara de Alvito, vaiado no congresso de Novembro de 2004 por defender o voto secreto para evitar o "definhamento" partidário, lembra que, no passado, a direcção do partido "usou as vozes críticas como bode expiatório dos insucessos do partido".

"Vamos ver o que acontece agora, com uma conjuntura totalmente favorável - sem críticas internas e com o Governo PS a empurrar descontentes para a esquerda". "Vamos ver se é o PCP, como tinha a obrigação, ou o BE a tirar partido da situação", acrescenta.

Lopes Guerreiro afirma que não vai ao XVIII Congresso Nacional, que decorrerá entre os dias 29 de Novembro e 1 de Dezembro, em Lisboa, nem foi à assembleia onde foram eleitos os delegados da sua organização.

"Julgo não existirem quaisquer condições para discutir opiniões diferentes das da direcção, pelo que acho que é preferível deixar andar para ver o que, sem contestação, consegue", afirma.

O ex-dirigente comunista diz que mantém "tudo o que anteriormente disse e escrevi, principalmente a propósito do congresso anterior", em 2004, insistindo para que "todas as votações que envolvam pessoas" sejam sempre feitas por voto secreto.

Em Março, Lopes Guerreiro já afirmara que "há uma paz podre", que levou "ao afastamento de muitos quadros" do partido. Dois dias depois, o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, recusou, com um sorriso, as acusações de o partido viver "uma paz podre" desde 2004, afirmando que a descrição do ex-dirigente Lopes Guerreiro "não corresponde nada à verdade".

Apesar de remeter qualquer decisão para mais tarde, Jerónimo de Sousa já admitiu uma recandidatura ao cargo.
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