Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Atualidade / Arquivo

Mortes em lar ilegal: Proprietária de "consciência tranquila"

  • 333

A proprietária do lar ilegal de idosos na Charneca da Caparica que foi encerrado pela Segurança Social abriu a casa aos jornalistas e sublinhou que os quatro utentes que faleceram tinham "problemas de saúde". (Vídeo SIC no fim do texto)

A proprietária do lar ilegal de idosos na Charneca da Caparica que foi encerrado pela Segurança Social na terça-feira abriu a casa aos jornalistas, garantiu estar "de consciência tranquila" e sublinhou que "os quatro idosos falecidos tinham problemas de saúde".

O lar foi encerrado na sequência de um alerta feito pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) às autoridades depois de, chamado ao local para prestar socorro a uma idosa, se ter deparado com mais três corpos.  

A Polícia Judiciária está agora a conduzir a investigação para apurar o que terá causado a morte a estas quatro pessoas.  

Esta manhã, Maria de Fátima Machado, 70 anos, mostrou a quem quis entrar a casa de dois pisos onde funcionava o lar sem licença, que acolhia 13 idosos e dava emprego a cinco funcionários.  

À  agência Lusa, a mulher reconheceu "que pode parecer estranho que tenham ocorrido tantas mortes em tão pouco tempo", afirmou "perceber que as autoridades tenham que fazer perguntas e investigar" e lembrou que "todas as pessoas em questão eram muito idosas [tinham entre 70 e 97 anos]" e que " todas tinham vários problemas de saúde". 

Maria de Fátima Machado disse ainda estar "de consciência tranquila": "As pessoas eram muito bem tratadas aqui. Eu tratava delas como quem trata de crianças, com muito amor, com muito carinho. Garanto-lhe que idoso nenhum morreu aqui por ter sido mal tratado. E nenhum morreu a sentir-se sozinho", acrescentou.

Familiar de idoso responsabiliza Segurança Social

O cunhado de um dos idosos falecidos no lar ilegal na Charneca da Caparica que foi encerrado pelas autoridades na terça-feira afirmou hoje que "se a Segurança Social existisse efetivamente, ninguém colocava familiares em lares ilegais".

Fernando Oliveira, 70 anos, falava aos jornalistas a meio da manhã de hoje, depois de um abraço de apoio em lágrimas à proprietária da vivenda de dois pisos que servia de lar a 13 idosos e foi encerrada pela Segurança Social depois de aí terem ocorrido quatro mortes no espaço de 24 horas.

Depois de uma reprimenda sublinhada "às mentiras que a comunicação social fez passar", o homem afirmou ter "absoluta confiança na proprietária do lar e nas boas condições em que o seu cunhado vivia".

A casa da Charneca da Caparica onde hoje foram encontradas três pessoas mortas, por uma equipa de emergência médica, é uma "estrutura ilegal", desconhecida dos serviços da segurança Social, disse ontem à Lusa fonte oficial.

Segundo a diretora do Centro Regional de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, "havia várias pessoas idosas na referida casa, mas a situação era desconhecida dos serviços regionais de Segurança Social".

A GNR foi alertada para o caso pelo INEM, que fez deslocar para o local uma equipa de emergência médica que se deparou com uma senhora em paragem cardiorrespiratória que viria a falecer no local.