Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Metro do Porto: As razões que levaram Rui Rio a bater com a porta

Num discurso veemente, Rui Rio afirma que Governo e Ministério das Finanças perderam o sentido do ridículo ao ordenar a devolução dos salários fixados pelo próprio representante da Inspecção-Geral de Finanças.

Isabel Paulo (www.expresso.pt)

Numa conferência de Imprensa, sem direito a pergunstas e respostas, Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, anunciou as razões que o levaram a abandonar as funções de administrador não executivo da Metro do Porto.

Rui Rio afirmou não se conformar que o Ministério das Finanças e Inspecção-Geral de Finanças tenham passado para a opinião pública "uma imagem de degradação moral e de oportunismo por parte de quem exerce cargos políticos", depois de ele próprio, em 2008, ter pedido a Filomena Martinho Bacelar, presidente da Comissão de Remunerações da Metro do Porto, SA, para reduzir o seu vencimento para 1/3 do estipulado por legislação em vigor.

"A senhora presidente, indicada pelo Governo, respondeu-me em papel timbrado pela Inspecção-Geral de Finanças que não lhe parecia razoável fazê-lo, pelo que não me reduzia o vencimento", lembra Rui Rio, frisando, no entanto, que de "mote próprio optou por reduzir a remuneração" após ter dado instruções à Metro do Porto para precessar apenas o valor correspondente a um terço (1.398 euros) do seu  salário de autarca (4.197 euros/mês).

O absurdo de pagar para trabalhar

Há uns meses, quando o Governo, através do Ministério das Finanças, decidiu que os autarcas passariam a não ter direito a qualquer compensação pelo exercício do cargo na Metro do Porto, Rui Rio diz que aceitou continuar a desempenhar as mesmas funções a título gratuito.

"E quando o Governo entendeu que deveríamos ser obrigados a fazer um seguro de responsabilidade pelo exercício do cargo, também me mostrei disponível para o absurdo: ou seja, pagar para trabalhar", acrescentou Rui Rio em discurso indignado.

Afirmando que o Governo perdeu o sentido do ridículo ao ordenar agora a devolução dos salários, o líder da Câmara do Porto diz que é tempo de dizer "basta" e por isso apresenta a demissão.

"Para este enxovalho público, passando para a opinião pública que recebi salários a que não tinha direito, é que já não estou disponível. Não tenho que estar permanentemente disponível para continuar a aturar este tipo de episódios em torno da Metro do Porto", concluiu Rui Rio.