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Membro da ERC diz-se vítima de "chantagens e ameaças"

A ex-jornalista Raquel Alexandra denuncia "tentativa de instrumentalização dos membros do conselho regulador" na deliberação sobre o caso Relvas/Público.

A ex-jornalista Raquel Alexandra, membro atual do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), afirmou hoje que foi vítima de "chantagens e de ameaças" por "quem queria" que a deliberação sobre o caso Relvas/Público "tivesse um determinado resultado". 

"Houve uma tentativa de instrumentalização dos membros do conselho regulador, indireta, triste, através do poder editorial, por quem não faço a mínima ideia, mas por quem queria que a deliberação tivesse um determinado resultado", denunciou Raquel Alexandra, na comissão parlamentar para Ética, Comunicação e Cidadania, no âmbito de um requerimento feito pelo Bloco de Esquerda (BE).

Indicada pelo PSD para integrar o conselho regulador da ERC, Raquel Alexandra disse que foi "vítima de chantagens e de ameaças".  

"Foi extremamente grave. Não imagina o ponto a que as coisas chegaram", acrescentou.  

Quando a deputada do PS Inês Medeiros pediu mais esclarecimentos sobre as "ameaças e chantagens", o presidente da ERC, Carlos Magno, chamou a si a palavra, dizendo que respondia "a isso". 

No entanto, Carlos Magno não explicou a que "ameaças e chantagens" a ex-jornalista se referia.  

À saída do parlamento, Carlos Magno e Raquel Alexandra escusaram-se a prestar esclarecimentos aos jornalistas.  

ERC ilibou Relvas

A deliberação da ERC, divulgada em 20 de junho, ilibou Miguel Relvas de "pressões ilícitas" sobre o Público e a jornalista Maria José Oliveira, tendo ainda considerado que "não se comprovaram as denúncias de que o ministro tenha ameaçado promover um 'blackout' informativo de todo o Governo em relação ao jornal e divulgar na Internet um dado da vida privada" daquela jornalista.

A ERC assinalou, em contrapartida, o "tom exaltado" de Relvas em contactos telefónicos efetuados, nomeadamente para a editora de Política do jornal, e a ameaça de deixar de falar com o Público, comportamento que "poderá ser objeto de um juízo negativo no plano ético e institucional", ainda que à entidade não lhe compita "pronunciar-se sobre esse juízo".  

Em declarações aos jornalistas no parlamento no dia 22, a deputada do BE Catarina Martins, signatária do requerimento da audição, considerou que a ERC produziu "uma deliberação que é completamente atípica, que ninguém compreende". 

A deputada bloquista acrescentou que se trata de "uma deliberação extensa, onde descreve pressões para concluir, no fim, que não houve pressões ilícitas, muito embora os membros do conselho regulador afirmem que houve pressões inaceitáveis".  

O conselho regulador da ERC é composto por cinco elementos: Raquel Alexandra e Luísa Roseira (indicados pelo PSD), Alberto Arons de Carvalho e Rui Gomes (indicados pelo PS) e o seu presidente, Carlos Magno, cooptado pelos primeiros quatro elementos.