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Mário Soares: "Portas deve demitir-se"

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"Portas, por mais que goste de ser ministro, e ao que parece gosta muito, não pode continuar a sê-lo, sem perda total da sua dignidade e prestígio", escreve hoje Mário Soares no "Diário de Notícias". 

"O Governo está moribundo e ninguém o toma a sério" mas, apesar disso, "de momento, pensar em eleições é completamente inconveniente", até porque a "União Europeia está em mudança e importa ver o que vai suceder nas próximas semanas", escreve o ex-Presidente da República Mário Soares na sua página de opinião semanal no "Diário de Notícias".

Mário Soares diz que o Governo não percebeu com as manifestações de 15 de setembro que precisava de mudar de rumo, daí, após ter desistido do aumento da TSU, ter colocado o ministro das Finanças a anunciar o aumento de impostos. Um anúncio que considera ter revelado "falta de sensibilidade política e de vergonha!".

Face às promessas eleitorais do CDS-PP que não haveria agravamento dos impostos, Mário Soares escreve que o seu líder Paulo Portas ficou numa posição insustentável: "Portas, por mais que goste de ser ministro, e ao que parece gosta muito, não pode continuar a sê-lo, sem perda total da sua dignidade e prestígio. Deve demitir-se quanto antes".

Cavaco "será obrigado a tomar decisões"

O artigo é de acesa crítica tanto ao atual Governo como em relação ao Presidente da República, Cavaco Silva.

Mário Soares começa por condenar a "peregrina ideia de excluir o povo da cerimónia" do 5 de putubro, uma decisão que diz própria "de uma ditadura, não de um regime que ainda se diz mais democrático", para acrescentar, mais abaixo: "Quando os governantes (quer sejam ministros, secretários de Estado ou o Presidente da República) manifestam o medo do povo - e fogem dele - algo vai muito mal".

Face à eventual saída de Paulo Portas, Mário Soares questiona a capacidade do Governo para fazer uma remodelação, um cenário que obrigará à intervenção de Cavaco Silva: "Aproxima-se o momento em que não pode continuar a fazer discursos vazios e será obrigado a tomar decisões. A não ser que se demita também".