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Maria João Rodrigues preterida na OCDE

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Primeiro-ministro belga candidata-se de surpresa ao cargo e afasta a pretensão portuguesa.

Luísa Meireles (www.expresso.pt)

Maria João Rodrigues já não é candidata a secretária-geral adjunta da OCDE, soube o Expresso. O primeiro-ministro interino da Bélgica, Ives Leterme, anunciou ontem ao fim da tarde de surpresa a sua candidatura, avançando em comunicado que será ele o nome proposto àquele cargo pelo secretário-geral da organização, Angel Gurria.

Maria João, professora e ex-ministra e actualmente conselheira junto das instituições europeias, havia sido convidada a apresentar a sua candidatura ainda na Primavera passada, com o apoio expresso dos dois governos portugueses. Até segunda-feira à tarde era dada como a favorita entre os oito candidatos.

Mas a candidatura de Leterme veio alterar a situação, já que foi dada preferência à experiência política - uma novidade numa organização de perfil essencialmente técnico. A sua indicação para o cargo é vista como um meio de pressão de resolver o problema da Bélgica, que mantém um Governo interino há mais de um ano, mas a imprensa belga é fortemente crítica da atitude de Leterme, que qualifica como "uma fuga".

Explicações do secretário-geral

Curiosamente, o próprio Angel Gurria está hoje de visita a Portugal, tendo previsto encontrar-se com o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros. Será ocasião para explicar o volte-face ocorrido. Até hoje, Portugal, que é país fundador da OCDE, nunca ocupou um cargo de alto-relevo na organização. Actualmente, o posto mais elevado que detém é o de chefe de divisão. 

Formalmente, Ives Leterme concorre ao cargo de secretário-geral adjunto (há quatro ao todo, sempre um americano, um japonês e dois europeus), mas terá ainda que ser proposto ao Conselho da OCDE, que se reunirá na próxima sexta-feira. O Conselho agrega os embaixadores dos 34 países membros da organização.

A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico é uma organização internacional de estudos económicos, cujos países membros, desenvolvidos na sua maioria, têm em comum um sistema de governo democrático e uma economia de mercado. A organização agrupa 750 peritos altamente qualificados nos seus centros de investigação em Paris e publica análises, previsões e recomendações de política em várias áreas.