Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Manifestação juntou centenas de "indignados" no aterro do Funchal

Um grupo de madeirenses protestou hoje, no aterro do Funchal, contra a situação financeira do arquipélago.

Centenas de pessoas participaram hoje no aterro do Funchal na manifestação da indignação contra a política do Governo Regional e a situação financeira da Madeira, iniciativa que o organizador admite possa vir a repetir-se.

"Esta foi, de facto, uma sementeira, agora vamos esperar que as plantas cresçam e deem bons frutos", disse à agência Lusa o geógrafo e investigador Raimundo Quintal, que lançou no Facebook o movimento dos Madeirenses Indignados.

Segundo Raimundo Quintal, "depois de muitos anos em que há uma pessoa a pensar por todos os madeirenses, ou pelo menos a dizer que pensa e a confundir lá fora os madeirenses com uma só mente, o que é importante é que a sociedade civil tome iniciativas".

"Despertar consciências"

O responsável considerou que o momento é de "despertar consciências" e, ao mesmo tempo, "pedir às pessoas que não devem passar a vida iludidas pela espetada, pelo vinho seco e pela poncha".

"Temos de começar a pensar, refletir e temos de perceber que há um 'day after' e há um paradigma seguinte a construir", declarou, defendendo que "esse paradigma tem que ser construído com os valores que esta terra tem, com o seu solo, o seu clima, a sua floresta, os seus jardins".

Raimundo Quintal sustentou que é essa Madeira que as pessoas desejam para os netos e gerações seguintes.

"Infelizmente os nossos netos, sobretudo aqueles que ainda não nasceram, para além da pesadíssima dívida, vão ter de ainda arranjar dinheiro para os túneis que vão ficar fissurados, as estradas esburacadas, as escolas com tubagens rebentadas e as piscinas sem água", declarou.

No aterro, construído com os inertes arrastados pelas ribeiras no temporal de 20 de fevereiro de 2010 e onde um ano depois Raimundo Quintal promoveu um cordão humano em protesto contra a construção de um porto naquele local, juntaram-se, entre muitos anónimos, candidatos de vários partidos políticos que concorrem às eleições legislativas regionais de 9 de outubro.

"Buraco é negro"

No espaço, onde alguns cartazes revelavam indignação, multiplicavam-se, também, as bandeiras negras.

"Significa que o buraco é negro", explicou Rafael Pereira de 67 anos, para quem o futuro da região pode ter a mesma cor devido à dívida.

Já Teresa Ferreira, de 49 anos, que transportava uma bandeira, justificou a adesão à iniciativa: "Simboliza a tristeza, a vergonha, a indignação que estamos a sentir".

A guia intérprete acrescentou que o turismo não é indiferente "às notícias do descalabro da Madeira", considerando que a ilha "tem sido mal tratada por Alberto João Jardim [presidente do Governo Regional] e companhia".

"A Madeira tem de ser diferente por uma coisa positiva e não pela negativa", acrescentou. Raimundo Quintal concluiu que "mais importante que as bandeiras negras, são as bandeiras verdes da esperança".