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'Magalhães' esquece Madeira

O Governo Regional da Madeira continua às cegas sobre as características do projecto. Apesar das insistências, as informações teimam em não chegar.

Sara Moura, correspondente na Madeira

Duas semanas depois do projecto 'Magalhães' ter sido apresentado ao país, o Governo Regional da Madeira continua às cegas sobre as características do programa. A Secretaria Regional da Educação e Cultura (SREC) já solicitou, várias vezes, informações a Lisboa, mas apenas recebeu promessas e silêncios.

Francisco Fernandes, secretário regional da Educação e Cultura, admite que o "volume de procedimentos" possa estar a atrasar o processo e garante que não é apenas a Madeira que está, neste momento, 'off-line'.

"A nossa situação é idêntica à do resto do país, ou seja, para além da primeira entrega de 3.000 unidades, não houve mais informação disponível", explica o secretário regional, reconhecendo que um programa desta dimensão exige alguma "carga burocrática".

Mesmo assim, o director regional de Planeamento e Recurso Educativos, Nuno Araújo, está desconcertado com o silêncio do Governo da República, pois o executivo de José Sócrates comprometeu-se, há 15 dias, a divulgar, na semana passada, todas as informações sobre o 'Magalhães' e continua sem o fazer.

Ao silêncio acresce o facto de nem a SREC nem qualquer estabelecimento escolar madeirense terem recebido uma unidade que seja do 'Magalhães'.

"Depois da acção de marketing político, em que vários membros do Governo se deslocaram a algumas escolas do continente para distribuírem 3.000 computadores, prometeram-nos informações a semana passada. Apesar das nossas insistências, não sabemos de nada", acusa Nuno Araújo. Uma situação que, de resto, é semelhante ao todo nacional, ressalva.

O processo, explica o director regional, está atrasado porque o Governo da República ainda não chegou a acordo na forma como o 'Magalhães' será distribuído pelo país - a TMN parece estar, para já, na linha da frente -, mas existe a garantia de José Sócrates de que o projecto, quando começar, será logo extensível a todo o território nacional.

Na Madeira existem cerca de 14.000 alunos inscritos no 1.º ciclo e Francisco Fernandes admite que o 'Magalhães' deva interessar a todos. Quanto a projectos, diz que ainda não os há, mas quando o portátil português chegar não deixarão de existir iniciativas associadas ao equipamento.

Enquanto o país espera, o 'Magalhães' já é considerado um sucesso a nível internacional. O administrador delegado da gigante Microsoft já elogiou o 'laptop' e fala-se na venda de um milhão de computadores portáteis no mercado venezuelano e alguns milhares em países sul-africanos, como é o caso da Mauritânia. O 'Magalhães' chegou à Venezuela pelas mãos de Hugo Chávez, que foi presenteado por José Sócrates com um exemplar.