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Louçã defende corte profundo na despesa

O líder do BE mostra-se preocupado com "a vertigem especulativa" e avisa: "Se o total da dívida pública pagasse mais um por cento de juros significava mais 7 milhões de euros por dia".

Humberto Costa (www.expresso.pt)

Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda (BE), manifesta preocupação e considera extremamente "perigosa a pressão especulativa" dos mercados financeiros sobre Portugal e dá exemplos: "por cada 1% de aumento dos juros a dívida pública custa mais 7 milhões de euros por dia e se chegássemos ao nível da Grécia ficávamos a pagar mais 35 milhões de euros por dia".

Apontando a estagnação da economia portuguesa como o problema chave, Louçã garante que "não é a dívida, que é grave, não é o endividamento, que é grave, é o problema gravíssimo da estagnação" que o preocupa e a manutenção de um desemprego elevadíssimo "para o qual Portugal nunca esteve preparado".

A solução

Para o Bloco a solução passa por "cortar na despesa, muito em alguns núcleos fundamentais" de desperdício, criticando o que designa por "política de ajustamentos, que promete para o ano aquilo que se pode fazer hoje". Cortar muito em poucos sítios é o que defende o BE "só assim se pode ser eficaz", diz, dando exemplos: "cortar na despesa fiscal, recuperar receitas, cortar nos contratos das contrapartidas militares".

Louçã defende ainda que, este ano, o sistema financeiro pague 25%: "Fernando Ulrich, presidente do BPI, já disse que estava de acordo. Representa mais 600 milhões de euros, isto é, o total de todos os ajustamentos orçamentais que o Governo está a inventar para este ano" O BE defende ainda a cobrança de impostos sobre os bónus: "o Governo anunciou grandes alterações mas recusou, e o CDS e o PSD votaram contra, um imposto sobre os bónus. O Governo propôs um imposto sobre as empresas que pagam bónus, aumentando um pouco o IRC sobre essa diferença que é o bónus. Mas o bonificado não paga nada".

O escândalo

 

Francisco Louçã sustenta que é nos momentos de crise que os bónus aumentam como nunca: "no final de 2007 foram 128 milhões de euros em bónus no BCP; em 2009 foram os 8 milhões para João Rendeiro, do BPP, três milhões de António Mexia, 2,5 milhões para Rui Pedro Soares".Critica o presidente da EDP e recordo que o bónus recebido por António Mexia em 2010, referente ao desempenho em 2009, "equivale a 300 anos de ordenado médio em Portugal", diz.

O Bloco Central

Muito crítico relativamente às soluções de corte nas despesas sociais, avançadas pelo Primeiro-ministro José Sócrates, numa intervenção que precedeu o encontro entre o Chefe de Governo e Pedro Passos Coelho, líder do PSD, Louçã defende que "há uma mudança de circunstância política" depois do Congresso do PSD, e sustenta: "José Sócrates, quando teve maioria absoluta, representava um espaço político ao centro com uma parte importante da direita económica que era ele próprio Bloco Central. Quando passa a haver PSD o Governo está em minoria e o Bloco Central passa a ser a política do continuismo económico negociada a dois". Para Louçã Passos Coelho "não quer ceder à tentação de Sócrates de ir o mais depressa possível para eleições e responde com este acordo".

Desemprego

 

O corte na despesa social, sustenta o líder do BE, não é mais do que a "antecipação das alterações ao subsídio de desemprego" que classifica como "irrisório, do ponto de vista das receitas, mas um sinal político de enorme importância: obrigar os desempregados a trabalhar com salários abaixo do salário mínimo nacional". Francisco Louça traça um quadro negro para 2013: "Governo diz que vai por um funcionário do Instituto de Emprego a acompanhar o desempregado nas suas entrevistas, mas se no PEC prevê criar apenas 25 mil empregos até 2013, bem pode andar atrás dos desempregados".