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Lino nega conhecimento do negócio TVI

"Nunca, nunca, nunca", insistiu o ex-ministro com a tutela do PT, garantindo que só falou com o presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro e nunca sobre a compra da televisão. Rui Pedro Soares "passava muitas vezes pelo Ministério."

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Um ex-ministro - Mário Lino - irritado, um grupo de deputados socialistas nervosos e a restante oposição apostada em 'esmiuçar' toda a informação disponível. Assim decorreu a primeira audição da comissão parlamentar de inquérito ao negócio da PT/TVI.

Detalhes de actas, declarações à Comunicação Social, pormenores da constituição dos membros dirigentes da PT, tudo serviu para a oposição confrontar Mário Lino com a possibilidade de intervenção do Governo na compra de uma participação da TVI por parte da PT.



Lino chegou mesmo a irritar-se com a deputada popular, Cecília Meireles, considerando que lhe estavam a "fazer sempre a mesma pergunta". Os socialistas aproveitaram a deixa para lamentar o teor "capcioso" de algumas perguntas e para pedir um "ponto de ordem à mesa".

Mas, Mário Lino é mesmo obrigado a responder perante uma comissão parlamentar de inquérito e, mesmo com pouca vontade, acabou sempre por insistir que "nunca, nunca, nunca"  foi informado de qualquer negócio da PT sobre a televisão de Queluz. Motivo: nunca foi discutido em conselho de administração da operadora de telecomunicações e só de matérias aí tratadas era dado conhecimento ao Governo.

Relação de "amizade" com Rui Pedro Soares

"Sobre a PT só havia uma tutela: a minha", disse Mário Lino e o canal de comunicação com o Governo era feito através do "presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro. Nunca me relacionei com nenhum outro administrador, nem executivo, nem não-executivo", afirmou aos deputados. Mais adiante no inquérito, porém, e depois dos deputados da oposição insistirem para perceber quem designou Rui Pedro Soares para administrador da PT, Mário Lino acabaria por admitir que o conhecia. "Tenho com ele uma relação de amizade, é uma pessoa com quem almoço, com quem me encontro e com quem falo dos mais variados assuntos", disse. O ex-administrador da PT - que é arguido nos processos "Face Oculta" e "Tagus Park" - "às vezes passava pelo Ministério para me cumprimentar, falar das coisas que o preocupavam", acrescentou Mário Lino. No entanto, "não falei, nem falaria com ele sobre qualquer matéria da PT, porque ele (Rui Pedro Soares) sabia que sou muito rigoroso: da PT, só falava com Henrique Granadeiro".

 

Sobre o negócio de entrada na TVI, porém, o ex-ministro garante nada ter sabido por antecipação. Porque não tinha sido discutido ou aprovado pelo conselho de administração da PT, argumenta o ex-ministro, "nunca foi motivo de conversa com o Governo. Nem tinha de ser".



O certo é que o assunto corria nos jornais, motivou mesmo a intervenção de deputados e do próprio Presidente da República. Nesse dia, depois de ouvir Cavaco Silva, "tive uma conversa com o primeiro ministro, acordando que tínhamos de tomar uma posição de que não estávamos de acordo com o negócio". No dia seguinte, 26 de Junho, logo de manhã, Mário Lino chama ao seu gabinete o presidente do conselho de administração da PT e avisa que "não estávamos de acordo com o negócio. Face ao 'sururu' levantado de que o Governo podia estar por trás disto numa tentativa de instrumentalizar a TVI, decidimos que não queríamos o negócio", disse Mário Lino sobre a conversa com Henrique Granadeiro. "Foi assim. Foi rápido. Nem sequer nos sentámos", disse Mário Lino.