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LeV debateu "O Sonho de África" sem nomes internacionais

Tim Butcher, Mohammed Berrada e Javier Reverte foram as grandes ausências do segundo dia do LeV - Literatura em Viagem, que decorre em Matosinhos até dia 20 de Abril.

Mariana Pinto (www.expresso.pt)

A protagonista do segundo dia do encontro literário de Matosinhos foi a mesma do primeiro dia: a nuvem vulcânica, que continua a congestionar o trânsito aéreo europeu, voltou a reter os convidados internacionais e a obrigar a painéis improvisados.

Foi num cenário de improviso que Marcelo Correia Ribeiro - advogado que viveu em Moçambique - se juntou à mesa do segundo debate do dia - "O Sonho de África"-, que ficou praticamente desfalcada, com as ausências do jornalista britânico Tim Butcher e dos escritores Mohammed Berrada e Javier Reverte. A existência de "várias Áfricas distintas" - nas palavras do escritor Jacinto Rego de Almeida, que completou o painel, juntamente com o antropólogo e investigador Carlos Almeida, - foi o principal tema do debate.

"Não há um sonho de África, há o sonho de Áfricas. Porque há muitas Áfricas distintas", acredita Jacinto Rego de Almeida, para quem a África negra representa a "nostalgia do que não fomos, mas que simbolicamente estivemos quase a ser".

A ideia encontrou vozes concordantes na mesa. Para Carlos Almeida, a "África é uma simplificação de uma multiplicidade de realidades", afirmou. Qual é afinal o sonho de África? "É um sonho de quem escreve e de quem escreveu sobre África, é sobretudo um tópico europeu", acredita o antropólogo, que deixou um aviso: "É preciso dar mais atenção às vozes africanas sobre África e menos às vozes europeias".

O advogado Marcelo Correia Ribeiro, dono de uma ampla biblioteca sobre África, defendeu que o sonho de africano "começou com Império". "Já que não conseguimos fazer o sonho de África, é necessário contribuir para que os africanos o vivam em Portugal", completou.

No primeiro debate do dia, a mesa dedicada ao tema "Percebo-me Viajando", o escritor Guillermo Martinez e os arquitectos Alexandre Alves da Costa e Júlio Moreira foram unânimes: A viagem é indispensável para a preservação da memória.

O escritor argentino - que apresentou o seu novo livro "Acerca de Rederer", "boa carta de apresentação da sua obra", e que foi a única presença internacional do dia - explicou o que o LeV já fez por ele: "Graças a esta conferência percebi finalmente a importância das viagens nos meus livros".

Uma ideia final deixou Júlio Moreira: "Escrever é extremamente importante para a memória". É que, defende, "a introspecção é uma viagem no interior de si próprio".

O encontro literário de Matosinhos segue amanhã com os debates "Viajar prolonga a vida" e "Palavra a palavra viajamos" e encerra na terça-feira, dia 20.