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José Emilio Pacheco recebeu Prémio Cervantes

Maior galardão das letras em espanhol foi para o México. José Emilio Pacheco, poeta e romancista, recebeu hoje o Prémio Cervantes aos 70 anos. Polémico, agradece a honrosa distinção alertando para os males do mundo.

Alexandra Carita (www.expresso.pt)

"A nuvem de cinza que cobre a Europa deixou-me sem saber se poderia estar aqui hoje, mas isso não é nada comparado com a violência que se vive no México. O horror vai ocupando até os oasis. Pensem em Cuernacava, um lugar onde se ia para descansar. Dizia-se sempre que era o lugar da eterna Primavera. Tornou-se tão terrível como Ciudad Juárez."

Foi assim que José Emilio Pacheco, mexicano de 70 anos, discursou em Madrid na cerimónia que, segunda-feira, antecedeu a entrega do Prémio Cervantes, que hoje teve lugar.

José Emilio Pacheco afirmou que vê o mundo de hoje como "um desastre" e o novo século como o tempo das "ilusões perdidas".

Escritor sem papas na língua

Sem papas na língua, o poeta mexicano anunciou que está certo que terá de guardar "o dinheiro do prémio para os gastos hospitalares". José Emilio Pacheco, que hoje recebeu aquele galardão das mãos dos reis, no palácio de Alcalá Henares, acredita "escrever poesia é um mistério absoluto porque tudo está contra isso."

"Quando se tem 14 anos tem-se tanta vergonha de escrever que nem nos atrevemos a contá-lo aos colegas de classe. Mais tarde também não se pode dizê-lo. Não parece uma coisa séria. Uma vez quando preenchia um formulário, escrevi que era escritor e a funcionária disse-me: 'Isso não é profissão!' Escrevi:'trabalha por sua conta'," relatou frente a uma plateia de convidados de honra e tendo a ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, como anfitriã.