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Jornalista da TVI confirma pressões para afastar Moura Guedes

Carlos Enes confirmou, na comissão de inquérito, que dirigentes do PS lhe disseram que se a pivô se afastasse dos ecrãs, o Governo facilitaria o negócio da TVI.

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Um jantar, em "finais de Outubro ou Novembro de 2005", é o centro da audição do jornalista da TVI e membro da equipa do Jornal Nacional de Sexta, Carlos Enes, na comissão de inquérito que investiga o negócio da PT na Media Capital.



O jantar ocorreu com "um assessor do primeiro-ministro e dois deputados do PS" que avisaram Carlos Enes de que "a contrapartida para o beneplácido do Governo para a entrada de um grupo estrangeiro (Prisa) no capital da TVI" seria o facto de "Manuela Moura Guedes ser afastada dos ecrãs". Um aviso  dos responsáveis socialistas, para um "plano simples: havia a convicção de que com o afastamento de Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz (director geral da estação) se auto-afastaria, resolvendo-se, assim, este segundo problema", disse o jornalista.



No encontro, Carlos Enes foi ainda informado da existência de "reuniões entre responsáveis da Prisa e o primeiro-ministro e membros do seu Gabinete para acertar que o Governo não se oporia ao negócio" que fazia entrar o grupo espanhol de media no capital da estação de Queluz. "O que me foi transmitido", disse Enes, é que nessas reuniões "ter-se-à tratado do problema Moura Guedes que, quando estivesse resolvido, resolveria o problema seguinte da saída de José Eduardo Moniz".

PS quer nomes dos responsáveis

Esta passagem do depoimento do jornalista da TVI acabou por provocar mais um, dos vários incidentes que já são uma espécie de imagem de marca das audições realizadas nesta comissão. Os socialistas, pela voz de Ricardo Rodrigues exigiram que o jornalista identificasse os "responsáveis do PS" que estiveram naquele jantar, para poderem ser chamados à comissão. O conflito de interesses é evidente. Carlos Enes garante que não revela, como nunca revelou - nem mesmo à Entidade Reguladora da Comunicação Social - a identidade das suas fontes e o sigilo profissional dos jornalistas assim o prevê.



Ricardo Rodrigues alega que é necessário "levantar o sigilo atrás do qual o depoente se esconde". Caso contrário "estamos perante uma desobediência", disse para a acta da comissão de inquérito.