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Jornal Público esclarece "pressões inaceitáveis" de Miguel Relvas

Num texto de esclarecimento aos leitores hoje publicado, o jornal conta o telefonema do ministro e explica quais as incongruências na origem das perguntas enviadas a Miguel Relvas.

Mafalda Ganhão (www.expresso.pt)

Depois de o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas e a direcção do "Público" terem sido quinta-feira ouvidos pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o jornal publica hoje um "esclarecimento aos leitores" em que afirma "que as pressões existiram" e passa em revista "o que se passou".

Segundo o "Público", " a meio da tarde" do dia 16, o ministro Miguel Relvas "telefonou à editora de Política do jornal, Leonete Botelho" a propósito das perguntas que lhe tinham sido enviadas pela jornalista Maria José Oliveira - que acompanha o caso das secretas e pretendia esclarecer algumas "contradições" do ministro na audição parlamentar da véspera, nomeadamente em relação à data em que teria conhecido Jorge Silva Carvalho.

Escreve o diário que o ministro considerou as perguntas "pidescas", tendo na mesma chamada dito que se sentia "perseguido", "e que iria fazer uma queixa à ERC, iria processar o jornal, iria dizer aos ministros que não voltassem a falar com o Público e iria divulgar na internet que a autora da notícia vive com um homem de um partido da oposição".

Reiterando que "em momento algum nos sentimos intimidados" e que "em nenhum momento o telefonema alterou o trabalho que estava a ser feito", o jornal explica que o assunto foi "objecto de reflexão e debate internos".

Na sexta-feira, a directora do Público telefonou a Miguel Relvas, "para lhe apresentar um protesto formal", sublinhando considerar "inaceitável um ministro fazer este tipo de telefonemas". Após esta conversa, "o ministro telefonou a Leonete Botelho a pedir desculpa".

O "Público acrescenta que o assunto foi ainda abordado com o advogado do jornal, sem que tenham sido encontradas bases "que justificassem uma atuação legal".

Belmiro de Azevedo, presidente da Sonae, proprietária do jornal "Público", afirmou quinta-feira não o "incomodar nada" esta questão: "o que me preocupa é saber se a equipa tem a capacidade de respeitar o que há de mais sagrado, com mais investigação e defender que a razão está do seu lado", disse.

Quanto à ERC, o presidente Carlos Magno prevê ter, para aprecisção, o relatório sobre este caso num prazo de dez dias.