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Jardim insurge-se contra os que chamam chulos aos madeirenses

O presidente do Governo Regional da Madeira não confirma encontro de quarta-feira com Passos Coelho.

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse hoje não confirmar o encontro de quarta-feira com o primeiro-ministro para tratar da assistência financeira à Madeira a braços com uma dívida pública de 6,5 mil milhões de euros.

"Não confirmo nenhuma data, não sei, os desígnios da Providência são imperscrutáveis", disse à margem de uma cerimónia de partilha do bolo de mel.

Confrontado com as notícias de que Pedro Passos recebe quarta-feira, em São Bento, o presidente do Governo Regional da Madeira para analisar o plano de assistência financeira a esta região autónoma, Jardim retorquiu: "eu não bebo nessas fontes".

"Posso ir e posso não ir (...), sei lá se amanhã estou vivo (...), falta tudo, só está resolvido quando se assina", disse ainda.

Lisboa roubou a Madeira

Na cerimónia, Alberto João Jardim salientou que "os investimentos feitos na Madeira foram feitos pelo povo madeirense a expensas do povo madeirense", lamentando dois episódios recentes em que duas equipas de basquetebol foram ao continente para disputar jogos e foram insultadas com termos como "chulos".

"Quem roubou a Madeira durante cinco séculos e meio e roubou dois terços daquilo que o trabalhador madeirense produzia foi Lisboa e eu não admito que se ande a criar um clima entre portugueses para se chegar ao ponto de, naquilo que é nobre no desporto, se aproveitar a ocasião para se insultar o povo madeirense", realçou.

"Alguém é responsável por se ter chegado a este ponto, alguém na comunicação social do continente andou a dizer mentiras para virar os portugueses do continente contra os portugueses da Madeira. Se não se quer a coesão nacional diga-se de uma vez por todas (...), se não querem continuar com os madeirenses digam uma vez por todas, porque nós também não fazemos questão", referiu ainda, tendo sido aplaudido pelos mais de 300 produtores de cana-de-açúcar presentes na cerimónia.

Madeirenses não se deixam vencer

Lembrou que "o povo madeirense sofreu muito ao longo da sua história mas nunca se deixou vencer".

"Aqueles que esperam vencer-nos e que esperam humilhar-nos vão ser vencidos antes de nós sermos vencidos.

Que isto seja um motivo de prudência para aqueles que pensam que podem humilhar o povo madeirense", finalizou.

Em janeiro de cada ano, a Sociedade de Engenhos da Calheta promove um encontro com produtores de cana-de-açúcar durante o qual é partido o bolo de mel com cerca de 40 quilos amassado no ano anterior como prova da sua durabilidade.

A produção de cana-de-açúcar aumentou 91 por cento entre 2000 e 2011, passando de 2.871 para 5.472 toneladas, atingindo os 1,4 milhões de euros de rendimento total. Alberto João Jardim garantiu aos produtores o escoamento da cana-de-açúcar da safra de 2012.